Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Tragédia de Brumadinho pesa contra resultado da indústria em fevereiro

Projeção era de 1% de crescimento; extração de minério de ferro leva resultado a 0,7%

Arthur Cagliari
São Paulo

A produção industrial brasileira cresceu 0,7% em fevereiro, informou o IBGE, nesta terça (2).

O resultado veio abaixo do previsto por economistas ouvidos pela agência Bloomberg, que projetavam alta de 1%. 

O desempenho do setor ficou aquém do esperado devido ao impacto da tragédia em Brumadinho, que afetou a produção de minério de ferro. O rompimento das barragens derrubou o setor da indústria extrativa, que apresentou seu maior recuo, de 14,8%, desde o início da série histórica.

"Dada a redução de ritmo que já estava atrelada a todo esse evento nas atividades produtivas e dado o peso que o extrativo tem dentro do setor industrial, é claro que isso traria impacto de queda também para o total da indústria", disse André Macedo, gerente de coordenação de indústrias do IBGE.

Dos 26 grupos analisados pelo instituto, 16 apresentaram alta no segundo mês do ano. O destaque ficou para os veículos automotores, reboques e carrocerias e produtos alimentícios. 

"Embora tenha tido o maior crescimento neste mês, a atividade de veículos automotores vinha em três meses em sequência de resultados negativos. Então tem ali a adequação de uma produção corrente à demanda que existe", afirmou Macedo.

Já os setores que recuaram, além da indústria extrativa, outros impactos importantes vieram do setor de vestuário e acessórios e o do segmento de produtos de metal.

Apesar de ter crescido em fevereiro, a produção da indústria vem alternando seu comportamento em crescimentos e recuos. Esse movimento é sinal de que a indústria não vive uma forte retomada, na avaliação do coordenador do IBGE.

"O crescimento deste mês fez com que [a indústria] voltasse a operar no patamar de dezembro do ano passado. Depois de dois meses, a gente ainda está no patamar do final de 2018", disse Macedo. 

"Só para ter uma dimensão da perda que essa indústria tem, sua operação hoje é semelhante ao de março de 2009", acrescentou.

Reportagem da Folha mostrou que empresários do setor industrial enxergam uma retomada econômica só em 2020. A avaliação é que nem a aprovação da reforma da Previdência conseguiria mudar o cenário a esta altura.

Nesta segunda, o mercado voltou a reduzir as expectativas para a atividade econômica brasileira. As projeções pela primeira vez em dois anos estão abaixo de 2%, apontou o Boletim Focus do BC (Banco Central), que realiza pesquisa semanal com analistas de mercado.

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