Reforma da Previdência deve passar até setembro, diz presidente da Cargill

Executivo assumiu nesta quarta-feira a presidência da Amcham, câmara americana de comércio

Ivan Martínez-Vargas
São Paulo

A reforma da Previdência será aprovada até setembro, “na pior das hipóteses”, segundo o presidente da Cargill no Brasil, Luiz Pretti.

O executivo, que assumiu nesta quarta-feira (10) a presidência da Amcham (câmara americana de comércio) diz que o otimismo com relação à aprovação da Nova Previdência é geral entre os grandes empresários.

Em entrevista à Folha, Pretti diz ver com bons olhos o alinhamento de Bolsonaro com o governo Trump. Apesar disso, defende que a queda de barreiras tarifárias dos países só deve acontecer após a implantação, por parte do Brasil, da  reforma da Previdência e de uma simplificação do sistema tributário.

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Luiz Pretti, presidente da Cargill, assumiu a presidência da câmara americana de comércio - Adriano Vizoni/Folhapress

Quais os desafios que temos na relação bilateral com os Estados Unidos?

Uma das prioridades é o esforço em prol do comércio bilateral do Brasil com os Estados Unidos.
 Sabemos que há um sonho [de um tratado de livre comércio] que talvez possa demorar um pouco, mas acreditamos, estamos bastante otimistas com a aproximação feita pelo governo Bolsonaro com o Trump.


A recente visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos não resultou em redução de barreiras tarifárias, apesar dessa proximidade com o governo Trump. O que falta para maiores avanços?

Nós somos muito otimistas em relação a isso. É um trabalho longo, um processo demorado. Você
 não pode trabalhar em um mercado de livre comércio sem fazer a lição de casa hoje aqui no Brasil.

As empresas brasileiras e as americanas instaladas aqui precisam estar preparadas para esse
 movimento. As reformas que o governo brasileiro tem feito são um passo para deixar o país mais competitivo. E um acordo de livre comércio vai significar que o Brasil vai ter que diminuir barreiras, os EUA também.

O mais importante é que nos últimos dez anos, as empresas brasileiras investiram US$ 43 bilhões nos Estados Unidos [R$ 164,5 bilhões no câmbio atual]. Isso significa que o Brasil é o segundo maior gerador de empregos nos EUA se você considerar os países emergentes. A parceria já existe. É só trabalhar um pouco mais.

Para isso, precisa encarar com seriedade a reforma da Previdência e também uma reforma tributária.
 Caso contrário, as empresas brasileiras não vão ser competitivas como a gente espera.

O governo e o legislativo têm tido entraves na negociação para a aprovação da Nova Previdência. Como o senhor avalia as tratativas até agora?

A negociação melhorou demais mais recentemente, a reforma deverá ser aprovada até o final deste semestre ou até setembro, na pior das hipóteses. 

A reforma não é mais um problema do governo Bolsonaro, mas do Estado, que não vai conseguir investir em saúde, em infraestrutura, segurança e educação sem aprovar um projeto sério.


O sr. fala também em reforma tributária. Que tipo de mudança é factível no cenário político atual?

A Amcham defende uma proposta de simplificação tributária nos moldes de um IVA (Imposto sobre
 Valor Agregado), o que é um sonho para nós brasileiros e empresários. Fizemos uma mesa com 800 diretores de empresa e foi unanimidade que a reforma da Previdência precisa ser encarada seriamente e que deve ser seguida por uma simplificação tributária.


O FMI reduziu a projeção de crescimento do Brasil de 2,4% para 2,1% e há queda da confiança dos empresários. Como o senhor vê o cenário econômico, há um fim da “lua de mel” de início de governo?

O governo está começando, são só cem dias. Seria uma injustiça fazer um pré-julgamento. Estamos em um processo, estamos nos primeiros dias dessa lua de mel.

Quais devem ser as prioridades a curto e médio prazos para melhorar a relação bilateral com os EUA?

Precisamos de um acordo que desburocratize o comércio de produtos brasileiros e americanos, a redução de barreiras tarifárias. 

É importante um acordo de cooperação tecnológica que envolva educação e inovação, áreas em que os Estados Unidos estão muito à frente do Brasil.

O governo Trump tem uma posição protecionista. É possível essa redução de barreiras?

Não sou a melhor pessoa para comentar sobre esse assunto.

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