Sem novidades na Previdência, dólar recua 0,77%

Bolsa teve dia morno e volta ao patamar dos 95 mil pontos

Júlia Moura
São Paulo

Sem grandes novidades quanto a reforma da Previdência, esta quarta-feira (10) foi morna para o mercado. Na véspera, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) teve leitura de relatório favorável à admissibilidade total da proposta, mas não suficiente para sustentar a Bolsa brasileira nesta quarta. O dólar também recuou.

A Bolsa chegou a operar perto dos 97 mil pontos, com máxima de 96.902 pontos, mas encerrou em 95.953 pontos. O Ibovespa, maior índice acionário do país, teve um leve recuo de 0,35%. O giro financeiro ficou em torno de R$ 14,3 bilhões, abaixo da média diária de R$ 16 bilhões deste ano.

O dólar segue a tendência de queda desde o pico do fim de março, quando tensões entre o governo e a Câmara sobre a Previdência levaram a moeda a R$ 3,9545, maior patamar desde outubro do ano passado. O recuo do dia foi impulsionado pela desvalorização internacional da moeda americana. 

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) divulgou nesta quarta a ata da reunião de março, e o documento reforçou a leitura de analistas do mercado de que não haverá nova alta de juros neste ano. Dados da inflação americana divulgados hoje indicam leve alta em março, resistindo aos sinais de desaceleração da economia global.

“Hoje o dólar se desvalorizou com os dados americanos. Por outro lado, o cenário doméstico se estabilizou, com sinais positivos quanto ao avanço da reforma”, afirma Fabrizio Velloni, chefe da mesa de operações da Frente Corretora.

A moeda americana encerrou esta quarta com queda de 0,77%, a R$ 3,8250

De acordo com Velloni, a montanha-russa do mercado ainda deve continuar, com a Bolsa oscilando entre 93 e 97 mil pontos. Sem grandes novidades nas reformas preteridas pelo governo, o investidor estrangeiro não deve voltar a apostar no país.

“É preciso tirar o fantasma dos gastos públicos e melhorar o rating do Brasil para que haja entrada de capital e melhora da taxa cambial”, diz.

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