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Trump diz que acordo comercial com a China pode ser alcançado em um mês

Estados Unidos e governo chinês estão em meio a guerra comercial que tem abalado os mercados globais

Washington | The Washington Post

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (4) que um acordo comercial com a China está bem perto e pode ser alcançado em cerca de quatro semanas.

Trump falou em uma reunião com o vice-premiê chinês, Liu He, que está em Washington para negociações comerciais. Liu disse que houve um grande progresso nas negociações.

Já o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, disse que ainda há algumas questões importantes a serem resolvidas.

Trump disse que os pontos pendentes incluem tarifas e roubo de propriedade intelectual. O presidente disse que discutiria tarifas com Liu.

A China e os Estados Unidos estão em meio a intensas negociações para encerrar uma guerra comercial que já dura meses e que tem abalado os mercados globais. Washington quer mudanças radicais nas políticas econômica e comercial da China, enquanto Pequim quer que Trump elimine sanções sobre os produtos chineses.

Os Estados Unidos e a China ainda não concluíram um pacto comercial e continuarão a negociar as questões restantes nas próximas semanas. Mas o acordo quanto a marcar uma conferência de cúpula indica que os dois lados estão ansiosos por chegar a um compromisso que poria fim a meses de tensões entre os países e poderia conduzir à retirada de ao menos algumas das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses.

 

Myron Brilliant, vice-presidente executivo e diretor de assuntos internacionais da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, disse que representantes do governo haviam mencionado progresso nas negociações, o que permite que os dois lados encarem com confiança a organização da conferência de cúpula.

"As negociações estão progredindo de uma maneira que justifica confiança", disse Brilliant. "A probabilidade de que aconteça um acordo nas próximas semanas é a maior do que a de que um acordo não aconteça, ainda que reste trabalho a ser feito".

Ao longo de nove rodadas de negociações, os Estados Unidos pressionaram a China a aceitar compromissos quanto à compra de produtos americanos, abertura de mercados a empresas estrangeiras e reforço das proteções à propriedade intelectual estrangeira, em um esforço por promover um mudança no balanço de um relacionamento econômico que, na opinião de Trump, é injusto para com os trabalhadores dos Estados Unidos.

Presidente dos Estados Unidos Donald Trump e presidente da China Xi Jinping trocam aperto de mãos em Pequim após pronunciamento conjunto no Grande Salão do Povo, em novembro de 2017 - REUTERS

No começo da semana, os dois países chegaram a um acordo básico sobre muitas áreas, mas continuavam a discutir que tarifas exatamente seriam canceladas, entre os US$ 250 bilhões em tarifas impostas pelos Estados Unidos, e sobre como o acordo seria aplicado. Os assessores de Trump declararam que a decisão final sobre as tarifas provavelmente caberia diretamente ao presidente.

A data e local da conferência de cúpula são incertos. Os Estados Unidos propuseram realizá-la em Mar-a-Lago, um resort de Trump na Flórida, mas a China pressiona por uma visita oficial de Estado a Washington ou por um local neutro em um terceiro país, disseram pessoas informadas sobre o assunto. Os dois lados planejam realizar o encontro este mês, ainda que ele possa ser postergado se um acordo definitivo não for fechado em breve.

O esforço do governo para anunciar a conferência de cúpula antes que haja acordo pode gerar críticas por o presidente estar abrindo mão de alguns de seus instrumentos de pressão por conta da pressa de chegar a um acordo. Democratas e republicanos instaram Trump a buscar um acordo mais duro, para combater práticas que as empresas americanas consideram há muito tempo como problemáticas, entre as quais a transferência compulsória de tecnologia estrangeira como condição para que empresas sejam autorizadas a operar na China, e os vastos subsídios a empresas chinesas.

"Na semana passada, [Trump] nos disse que não assinaria um acordo 'bom' de comércio com a China, e só assinaria um acordo 'ótimo'", tuitou o senador Marc Rubio, da Flórida, na quinta-feira. "Acredito nele. Mas para que seja um 'ótimo' negócio, é preciso que nos permita fazer na China o que eles fazem nos Estados Unidos e ter mecanismos reais de fiscalização".

Os negociadores americanos vêm pressionando por um mecanismo de fiscalização que reimporia tarifas automaticamente se a China violasse os termos do acordo, e proibiria a China de retaliar. Mas os negociadores chineses resistem a essa ideia, descrevendo-a como potencial violação da soberania nacional.

Brilliant disse que as partes interessadas estrangeiras esquadrinhariam o acordo para determinar se ele inclui um mecanismo sólido de fiscalização que responsabilize os chineses por suas ações.

"Isso é o que separaria esse acordo de tratados anteriores", ele disse. 

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