Ninguém tem que se preocupar com alta do dólar, diz Guedes

Ministro também diz não se preocupar com queda nas estimativas para o crescimento

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta (17) que as sinalizações negativas do mercado financeiro em relação à economia brasileira são 'barulho' e não devem ser motivo de preocupação. 

Nesta sexta, o dólar fechou em R$ 4,10, o maior patamar desde setembro de 2018, antes do primeiro turno das eleições, diante de incertezas com relação à aprovação da reforma da Previdência. A bolsa caiu para 89.992 pontos, o pior patamar do ano. 

"Se a Bolsa cai três dias, dólar sobe um pouco, isso é barulho", disse Guedes em discurso para empresários da construção civil no Rio. "Ninguém tem que ficar preocupado com isso", completou o ministro.

O ministro afirmou estar "superconfiante" no Brasil, alegando que há um alinhamento construtivo entre poderes para promover mudanças na economia.

"É a primeira vez que eu vejo Câmara dos Deputados, o Congresso, o Executivo, falando a mesma língua do ponto de vista econômico."

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (à esq.), e o ministro da Economia, Paulo Guedes (centro), participam de debate no Rio de Janeiro - Saulo Angelo/Futura Press/Folhapress

Guedes disse confiar na liderança do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para votar a reforma da Previdência e defende que, após a aprovação, investidores se sentirão mais seguros para aportar dinheiro no país. Maia também participou do evento e cobrou medidas do governo para enfrentar o desemprego.

Além disso, segundo Guedes,  o governo também conta com os leilões de reservas no pré-sal no segundo semestre para atrair mais investimentos externos. "É investimento na veia, não é dinheiro que vem para bolsa e depois vai embora, não", afirmou.

"O mercado financeiro é meio excitado mesmo. Diz 'beleza, governo liberal, vai voar tudo'. Depois, 'ih, não, tem que passar pelo Congresso'", comentou o ministro da Economia. "Mas o que interessa é a marcha principal. E nela você vê que os poderes estão alinhados na mesma direção", concluiu.

O ministro também afirmou não se preocupar com as revisões negativas da estimativa de crescimento da economia em 2019.

"Tenho certeza de que daqui a dois, quatro meses, vamos ter um desfecho muito bom com a reforma da Previdência e as expectativas serão bastante favoráveis", disse ele, que classificou os ruídos atuais no governo como "barulho" e "tiro na bunda".

"É muito barulho, tambor, tiro na bunda. Ninguém precisa ficar preocupado com isso", afirmou. Para o ministro, as estimativas iniciais para o PIB continham um grau de otimismo em relação à velocidade de aprovação da reforma, mas que espera que o texto passe no início do segundo semestre.

JUROS

A uma plateia de executivos da construção civil, Guedes defendeu a redução dos juros de financiamentos imobiliários com recursos geridos por bancos estatais para estimular o mercado de construção civil no país.

Guedes criticou a concentração de recursos do fundo FGTS, por exemplo, para grandes programas de habitação, como o Minha Casa Minha Vida, ou para investimentos em grandes empresas.

Para ele, o ideal seria descentralizar os recursos, emprestando diretamente aos compradores de imóveis —o que chamou de "capitalismo popular". "Prefiro ter milhões de tomadores de empréstimos", afirmou.

O ministro citou os altos lucros da Caixa Econômica Federal, que é gestora do FGTS e fechou 2018 com ganhos de R$ 15 bilhões. 

 

"Qual a função de um banco público? É ter um lucro máximo ou passar esse excesso de receita para a sociedade?", questionou. "Para mim se banco tem que dar lucro, privatiza. Melhor juntar com o Banco do Brasil e fazer um banco gigante".

"Devia transferir isso para o financiamento de casa própria, derrubando as taxas", disse. "O que aconteceria com essa indústria que gera milhões de empregos se fosse IPCA mais 2%?" propôs, dizendo defender o "capitalismo popular".

O governo já anunciou que vem estudando mudanças nas regras do FGTS, que funciona como um a espécie de poupança compulsória dos trabalhadores com carteira assinada e cujos recursos são usados em programas de investimento.

"Tem gente dizendo que a gente tem que subir a taxa de aplicação para dar um lucro mais digno para os poupadores, tem gente achando que tem que dar um lucro máximo e tem gente achando que tem que baixar a taxa de aplicação para estimular a economia", comentou. 

Ele defendeu a última mas disse que o ideal seria "fazer um pouco dos três". 

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