Apesar de Selic mais barata, cresce lucro dos bancos com crédito, diz BC

Instituições atribuem à alta inadimplência parte das altas taxas de juros cobradas dos consumidores

São Paulo

Os bancos brasileiros lucraram mais ao conceder empréstimos em 2018, apesar da queda da taxa Selic para o piso histórico de 6,5% ao ano.

Segundo o Banco Central, a margem financeira no Indicador de Custo de Crédito (ICC) saltou quase dois pontos percentuais em 2018 e fechou a 10,8%. O dado foi divulgado pelo BC no Relatório de Economia Bancária.

O Indicador de Custo de Crédito foi criado pelo BC para medir qual fatia das taxas de juros cobradas dos clientes paga custos das instituições financeiras e aquela que efetivamente vira lucro para o banco.

Sede do Banco Central em São Paulo
Sede do Banco Central em São Paulo - Rahel Patrasso/Xinhua

A conta considera o custo de captação (que caiu com a queda da Selic), a inadimplência (que também recuou no ano, pelo aperto nas concessões a clientes com maior risco de calote), despesas administrativas e marketing (que subiram), custos com tributos e FGC (avançaram porque o banco paga mais impostos quando lucra mais, além do Fundo Garantidor de Créditos).

Quando o Banco Central exclui do cálculo o custo de captação, mostra que o crescimento da margem dos bancos foi ainda maior, de 2,53 pontos percentuais, para 16,65%.

Na prática, mesmo que o crédito tenha ficado relativamente mais barato para o consumidor, bancos conseguiram ganhar mais na operação.

Bancos atribuem à alta inadimplência parte das altas taxas de juros cobradas dos consumidores.

Segundo o BC, porém, em 2018 os atrasos acima de 90 dias fecharam no piso histórico da série, iniciada em 2011.

O BC também incluiu no relatório a sondagem trimestral que faz com os bancos sobre as projeções futuras para o mercado de crédito.

Os bancos projetam que o crescimento da carteira de crédito a pessoa física será de 8% em 2019, percentual inferior à expansão registrada em 2018. Para grandes empresas, o crescimento seria de 5,5%, e de 5% para micro, pequenas e médias empresas –em ambos os casos, acima dos números de 2018.

A inadimplência a pessoa física no ano, considerado o crédito ao consumo, deve fechar em 4,1%, segundo a sondagem do Banco Central.

O relatório do BC também mostrou que os bancos ficaram mais rentáveis em 2018. O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) alcançou 14,8% em dezembro de 2018, acima dos 13,6% de um ano antes. Nos grandes bancos, o ROE gira ao redor de 20%.

A explicação principal está nas operações de crédito e na queda nas reservas para cobrir calotes. 

“A queda mais tempestiva das despesas de captações em comparação com o percentual de retorno bruto do crédito e o menor nível de risco [despesas contra calotes] contribuíram para a melhora da rentabilidade associada à atividade de crédito, mesmo tendo havido redução nas taxas de juros das concessões de crédito ao longo de 2018”, escreveu o BC.

O órgão disse ainda que os bancos melhoraram sua rentabilidade arrecadando mais com tarifas bancárias, especialmente as ligadas à conta-corrente, que registraram alta de 19%.

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