Banco central dos EUA mantém juros entre 2,25% e 2,5% ao ano

Fed mostrou preocupação com a inflação do país, abaixo da meta de 2% ao ano

São Paulo

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) decidiu manter a taxa básica de juros americana no intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano afirmando que a economia do país permanece saudável, apesar da preocupação de investidores com uma possível desaceleração.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (1º), um dia após o presidente americano, Donald Trump, cobrar do Fed o corte da taxa em 1 ponto percentual. Trump tem repetido, desde o ano passado, que as altas nas taxas americanas são responsáveis pelo ritmo menor de crescimento do país.

Em comunicado no qual justificou sua decisão, o Fed afirmou que os dados de mercado de trabalho são fortes e a atividade econômica cresceu a taxas sólidas desde a última reunião, em março.

O órgão pontuou, porém, que a inflação cedeu e está abaixo da meta de 2%. Deu também indicações que o cenário pode ser mais persistente que o esperado. A inflação em 12 meses até março está em 1,9%, segundo dados oficiais do país.

O banco central americano tem duplo mandato: a meta de inflação e o máximo emprego.

“Estamos muito comprometidos com a meta de inflação em 2%”, afirmou Jerome Powell, presidente do Fed, em entrevista após a divulgação do comunicado.

Powell acrescentou, porém, que não vê no cenário nenhuma indicação de motivos para mudanças no atual patamar de juros, seja para cima ou para baixo.

"Acreditamos que nossa política é apropriada para o momento. Não vemos um motivo forte para movimentos em nenhuma direção", afirmou o presidente do Fed.

No comunicado, o Fed reforçou que será paciente antes de decidir por novas mudanças nas taxas de juros americanas, observando o cenário doméstico sem pressões inflacionárias e também o ritmo de desaceleração da economia global.

O último aumento do juro americano ocorreu em dezembro do ano passado, quando o Fed já estava sob questionamentos de investidores e do presidente americano por promover um aperto nas condições de crédito em um cenário de desaceleração da economia global.

Trump postou em sua conta no Twitter, nesta terça, duas mensagens em que dizia que a China está adotando políticas de estímulo econômico, enquanto o Fed eleva os juros e retrai a economia.

"Nós temos potencial para subir como foguete se nós reduzirmos um pouco as taxas", escreveu Trump.

Quando os juros americanos sobem, a tendência é que investidores retirem recursos de ativos de risco, como aplicações em Bolsa, e migrem para a dívida americana, considerada mais segura. O dinheiro deixa de ser usado para financiar empresas ou 

Após uma série de elevações, iniciada em 2016 e que levou os juros de 0,50% a 2,5%, o banco central dos EUA indicou que esperaria novos sinais da economia antes de continuar o ciclo de normalização das taxas.

Presidente do Fed (banco central dos EUA) em coletiva de imprensa
Presidente do Fed (banco central dos EUA) em coletiva de imprensa - Yuri Gripas/Reuters

Com agências


 

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