Economia não vai crescer mais que no ano passado, diz Bradesco

Banco espera PIB de 1,1% e que taxa Selic termine ano em 5,75%

Tássia Kastner
São Paulo

O Bradesco cortou a projeção de crescimento da economia em 2019 de 1,9% para 1,1%.
A estimativa coloca, já em maio, o PIB (Produto Interno Bruto) do ano no mesmo patamar registrado em 2018.

O banco também revisou sua projeção para a taxa básica de juros, que deve fechar o ano em 5,75% —atualmente a Selic está em 6,50%. A queda ocorreria apenas no segundo semestre, para quando é esperada a aprovação da reforma da Previdência. 

No começo de abril, a equipe econômica do Itaú havia cortado a projeção pro PIB de 2% para 1,3%.

“Diante das recorrentes frustrações com o crescimento econômico, optamos por fazer uma revisão mais ampla do nosso cenário base. Reconhecemos que o ritmo de expansão no começo de ano ficou aquém do esperado, o que nos levou a revisar o PIB de 2019”, escreveu a equipe econômica do Bradesco.

Além da fraqueza econômica doméstica, o banco também destacou que o crescimento global está mais heterogêneo, o que afeta o Brasil. A economia global deve avançar 3,3%.

 

Essa incerteza global é responsável, segundo o banco, por levar o dólar para o atual patamar, acima dos R$ 3,90.

“Esperamos que a aprovação da Nova Previdência no segundo semestre leve a moeda brasileira de volta ao comportamento médio de seus pares, para R$ 3,80.”

Segundo o banco, a inflação ainda reflete choques de preços, como o causado pela paralisação dos caminhoneiros há um ano. Até o final do ano, a tendência é de acomodação e o IPCA deve encerrar em 4%, ante os 3,80% previstos anteriormente.

Isso colocaria o juro real brasileiro, com a Selic a 5,75%, em um patamar de 1,75%.

O atual nível de juro básico já é considerado estimulativo, mas tem sido insuficiente para fazer a economia reagir. 

Ao manter a Selic no atual patamar, na reunião encerrada na última quarta (8), o BC disse que precisaria de mais tempo para avaliar a evolução da atividade econômica. A autarquia também tem condicionado novas quedas de juros à aprovação da reforma da Previdência.

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