Cielo propõe informar custo total de operar maquininhas para lojistas

Companhia pretende divulgar custo efetivo total e não apenas de taxas avulsas

São Paulo

Após o acirramento da concorrência no mercado de maquininhas de cartão, causado por uma nova estratégia comercial da Rede, a Cielo, maior empresa do setor, vai tentar levar a disputa de preços para o campo da transparência para o consumidor.

A companhia lançou uma campanha que prevê a divulgação do custo efetivo total (CET) e não apenas de taxas avulsas. A ideia é seguir o exemplo de operações de crédito, nas quais o banco informa a taxa de juro nominal e o CET, que inclui, além do juro, impostos e seguros vendidos.

Não informou, porém, qual é o CET cobrado atualmente de seus clientes.

A receita das empresas de maquininhas é formada por três fontes principais: a taxa de desconto (o percentual cobrado a cada venda no cartão), a antecipação de recebíveis (cobrada do lojista que deseja receber vendas a crédito em menos de 30 dias) e aluguel ou venda da máquina.

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Linha de produção das maquininhas, em Ilhéus, na Bahia - Mário Bittencourt/Folhapress

Embora a abertura do CET trate dessas fontes que compõem as receitas das maquininhas, essa transparência ainda pode ser limitada. Bancos donos de empresas de maquininhas pertencentes, por exemplo, poderão oferecer produtos e serviços diferenciados, e com benefícios adicionais, para correntistas que as operam.

Cada concorrente está mexendo em uma dessas fontes de receitas das maquininhas, dificultando a comparação, afirma o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli.

“O que acontece, na prática, é que o lojista está ficando maluco. Ele não sabe o que analisa”, diz Caffarelli.

Em abril, a Rede, segunda maior empresa do setor e controlada pelo Itaú, anunciou que passaria a pagar vendas no crédito à vista em 2 dias, e não mais 30, como é a prática do setor no país.

Com isso, a empresa abriu mão de parte de sua receita com antecipação de recebíveis, pressionando outros concorrentes a fazerem o mesmo.

Houve reação com reduções de preços, mas alguns mexeram na taxa de desconto, outros no prazo de pagamento.

Nessa confusão de regras e taxas, a ideia de Caffarelli é que exista uma medida única para que o lojista consiga comparar o custo antes de escolher a maquininha.

O presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou ver com bons olhos a iniciativa de “criação de um CET transparente em relação a adquirência”.

O Itaú tem até segunda-feira (6) para responder a questionamentos feitos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a oferta da Rede, em queixa feita pela Abipag (associação de empresas de maquininhas não vinculadas a grandes bancos).

Marcos Magalhães, diretor-presidente da Rede, afirma que as reclamações de venda casada e dumping são infundadas. Diz ainda que a competição tende a se manter. 

“A tendência futura é esse nível de competição se manter como regra.”

Foi o mesmo que viu Caffarelli ao assumir a Cielo. “Eu estou indo para uma briga de preço que não tem volta.”

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