Com recuo do PIB dentro do esperado, Bolsa atinge máxima do mês

Dólar segue estável e fecha a R$ 3,98

Júlia Moura
São Paulo

A queda de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre não freou a alta da Bolsa brasileira nesta quinta-feira (30). Em sua quarta alta consecutiva, o Ibovespa retomou os 97 mil pontos. O dólar se manteve estável, a R$ 3,98. 

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Folhapress

A retração da economia foi de acordo com a expectativa dos economistas, que previam o percentual de 0,2%. Eles também ponderam que o resultado negativo foi, em grande parte, devido à tragédia de Brumadinho

"Esta retração tem um contexto não recorrente que é a questão da Vale. Além disso, os resultados da Petrobras no período não foram tão satisfatórios, com queda na produção de petróleo. Mas, com a economia fraca, temos um incentivo para a taxa Selic cair, algo que anima os investidores", afirma Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos.

No exterior, o viés foi misto com a ​segunda leitura do PIB americano. No primeiro trimestre, os Estados Unidos cresceram 3,1% —na primeira leitura, a taxa estimada era de 3,2%. O resultado atestou o fortalecimento da economia do país, que deve registrar dez anos de expansão em julho, o mais longo período já registrado.

Com a notícia, as pprincipais Bolsas americanas e europeias recuperaram perdas da véspera. Londres subiu 0,46%. Paris, 0,51% e Frankfurt, 0,54%. Os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram 0,18 de alta. Nasdaq subiu 0,27%.

O crescimento está, no entanto, diminuindo. A produção industrial e as encomendas de produtos manufaturados de longa duração declinaram em abril, uma vez que as empresas fizeram menos pedidos nas fábricas. As vendas no varejo também foram fracas no mês passado e o mercado imobiliário continua em dificuldades.

O Federal Reserve de Atlanta está prevendo que o PIB subirá a um ritmo de 1,3% no segundo trimestre.

A moderação no crescimento reflete, em grande parte, o enfraquecimento do estímulo dos cortes de impostos e aumentos de gastos do governo Trump no ano passado. Do outro lado, a guerra comercial com a China.

Nesta quinta, o presidente Donald Trump disse que os EUA estão indo bem nas negociações comerciais e que Pequim deseja firmar um acordo com Washington. Já o vice-ministro das Relações Exteriores adotou outro tom.

"Esse tipo de disputa comercial deliberadamente provocativa é puro terrorismo econômico, chauvinismo econômico, intimidação econômica", disse Zhang Hanhui.

As declarações de Zhang derrubaram os índices asiáticos. O índice CSI300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,62%. A Bolsa japonesa cedeu 0,3% e Hong Kong, 0,44%.

No Brasil, o otimismo com a aprovação da reforma da Previdência e tom mais conciliatório do Governo Bolsonaro continuam a animar o mercado. O Ibovespa subiu 0,92%, a 97.457 pontos. O giro financeiro foi de R$ 14 bilhões.

"Esta movimentação do mercado vem dos investidores domésticos, que já contam como certa a aprovação da reforma com o Legislativo assumindo a responsabilidade pelas mudanças na Previdência", diz Legat.

O saldo de investimentos estrangeiros na Bolsa brasileira é negativo em R$ 4,7 bilhões em 2019.

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