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Concentração bancária diminui, mas BC liga queda de juros a mais competição

Para o BC, mesmo em um mercado concentrado pode haver mais concorrência

Tássia Kastner
São Paulo

O Banco Central afirma que houve queda na concentração bancária em 2018, mas diz que condições mais vantajosas para o consumidor só virão quando essas instituições competirem de forma mais intensa pelos clientes.

A análise está no Relatório de Economia Bancária, divulgado anualmente pelo BC.

Os cinco maiores bancos controlam 81,2% dos ativos totais, abaixo dos 82,6% de 2017.

Considerando apenas as operações de crédito, os cinco maiores bancos detêm 84,8%, também uma redução na comparação com o ano anterior.

Em um dos trechos do relatório, porém, o BC elaborou uma pesquisa técnica detalhada para estimar a relação entre o spread bancário, concentração e concorrência.

Apesar de parecerem a mesma coisa, concorrência e concentração são medidos por parâmetros diferentes no sistema bancário. A concentração indica o quanto do mercado está concentrado em cada competidor, mas teoricamente, mesmo com poucos competidores, poderia haver uma forte disputa entre eles pelos consumidores, explica o diretor de Política Econômica, Carlos Viana.

No estudo, baseado em concessões de crédito a empresas e que utiliza microdados (como município onde a operação foi contratada), o BC conclui que a concentração bancária não é o problema, mas sim a falta de concorrência entre os bancos por aqueles clientes.

Na prática, em mercados de menor concorrência, o spread (diferença entre taxa de captação e juros cobrados do cliente) é 1,84 ponto percentual maior que nos mercados com maior competição.

Já a mudança na concentração bancária tem impacto muito baixo.

A explicação, segundo Viana, está no poder de mercado das instituições, que é ainda maior pelo recorte de serviços financeiros prestados (exceto operações de crédito). Neste segmento, há ainda relativa estabilidade ao longo dos anos, indicado que bancos conseguem impor tarifas mais caras sem perda de resultados.

A dinâmica contrasta com a entrada de novos competidores, como fintechs e bancos digitais que prestam serviços financeiros gratuitos.

Para Viana, os dados de poder de mercado não indicam que as fintechs terão pouco impacto sobre o dia a dia do consumidor.

“O fenômeno de entrada de novos prestadores de serviços está se intensificando, a expectativa é que ele se amplie ao longo do tempo. A gente está no início de um processo”, afirmou.

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