Desemprego cresceu em 13 estados e DF no primeiro trimestre, diz IBGE

As maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá, Bahia e Acre

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O desemprego subiu em 14 das 27 unidades da Federação brasileiras no primeiro trimestre sob o governo Jair Bolsonaro, informou nesta quinta (16) o IBGE. As maiores variações foram no Acre, Goiás e Mato Grosso do Sul. 

Em 13 deles, houve recorde na taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui desempregados, pessoas que trabalham menos do que gostariam e aqueles que desistiram de procurar emprego mas gostariam de trabalhar.  

No primeiro trimestre, a taxa de desemprego no país foi de 12,7%, 1,1 ponto percentual acima do registrado no trimestre anterior, com 13,4 milhões de pessoas procurando emprego. A taxa de subutilização bateu recorde de 25%, o equivalente a R$ 28,3 milhões.

Segundo o IBGE, houve aumento do desemprego em todas as regiões do país. A maior taxa de desemprego foi registrada no Nordeste, onde 15,3% das pessoas com mais de 14 anos procuraram emprego no primeiro trimestre.

De acordo com o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, os dados mostram que a crise no mercado de trabalho está espalhada por todo o país e não dá sinais de recuperação. "É uma crise generalizada", afirmou.

De acordo com o IBGE, as maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18%). As menores, em Santa Catarina (7,2%) e Paraná e Rondônia, ambos com 8,9%.

Em São Paulo, a taxa de desemprego ficou em 13,5%, acima da média nacional e 1,1 ponto percentual acima da registrada no quarto trimestre de 2018.

No primeiro trimestre, além de São Paulo, o desemprego cresceu no Acre, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Mato Grosso, Distrito Federal, Tocantins, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará e Ceará. 

Em quatro deles –Rondônia, Roraima, Maranhão e Distrito Federal– a taxa de desemprego foi recorde no trimestre. Em outros dois –Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul– embora a taxa não seja recorde, o número de desempregados foi o maior da série histórica. 

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o desemprego cresceu em quatro estados –Roraima, Acre, Amazonas e Santa Catarina– e caiu em três –Ceará, Minas Gerais e Pernambuco. Nessa base de comparação, a taxa de desemprego no país caiu 0,4 pontos percentuais.

Em Roraima, diz Azeredo, o crescimento do desemprego na comparação anual pode ser reflexo da imigração venezuelana. Naquele estado, a taxa de desemprego subiu 4,7% em relação ao primeiro trimestre de 2019, para 15% da população em idade de trabalhar.

De acordo com o IBGE, um a cada quatro desempregados brasileiros estavam há mais de dois anos procurando trabalho no primeiro trimestre de 2019. Ao todo, 3,3 milhões de brasileiros se encontravam nessa posição, recorde para um primeiro trimestre.

"A consequência principal disso é a perda de qualificação", diz Azeredo. Ele alertou também  para o alto desemprego entre os mais jovens, que leva recém-formados a buscar a informalidade antes da primeira experiência profissional em suas carreiras. 

A população entre 18 e 24 anos representa 31,8% do número de desempregados no país, sendo o segundo maior grupo, por faixa etária. No primeiro trimestre, a taxa de desemprego desse segmento cresceu para 27,3%.

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