Diretor afastado após comercial sobre diversidade renuncia do BB e irá para o Patagônia

Banco argentino é controlado pela instituição estatal

Tássia Kastner
São Paulo

Afastado do cargo após interferência do governo na divulgação de um comercial do Banco do Brasil sobre diversidade, Delano Valentim de Andrade renunciou oficialmente nesta sexta-feira (31).

A saída não envolve, porém, o fim do vínculo com o banco público. Ele será vice-presidente do argentino Banco Patagônia, controlado pelo BB.

Andrade era diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil, mas foi afastado do posto após a interferência do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na divulgação de um vídeo em que apareciam jovens descolados. Eram retratados negros, gays e havia uma transexual no vídeo.

O comercial foi considerado inapropriado pelo presidente, que pediu a retirada da campanha do ar. A ordem foi acatada por Rubem Novaes, presidente do BB, ainda em abril.

Cena de comercial do Banco do Brasil, que foi tirado do ar
Cena de comercial do Banco do Brasil, que foi tirado do ar - Reprodução

​Desde que Novaes assumiu o comando do Banco do Brasil, delegou às suas equipes de marketing e de tecnologia um plano para atrair jovens com uma linguagem mais moderna e com serviços via internet capazes de competir com as fintechs, hoje uma ameaça concreta aos maiores bancos e que têm entre os jovens seus maiores adeptos.

Em entrevista a jornalistas, no começo do mês, Novaes afirmou que recebeu o vídeo de Bolsonaro e que tampouco gostou do que viu.

“Não gostei por uma razão muito simples: nosso objetivo é atingir todo o espectro de jovens, que não vi representado”, afirmou à época.

“Não vi o jovem fazendeiro, o rapaz esportista, o nerd. Não vi ali o jovem de classe média baixa que rala um dia inteiro para pagar estudos à noite. Ficou muito concentrado na juventude descolada”, criticou também à época.

O Banco do Brasil tem atualmente 15% de seus clientes entre 20 e 30 anos, fatia menor que os quase 18% que têm mais de 65 anos.

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