Em meio à crise na Kraft Heinz, Buffett diz que nova empreitada com 3G Capital seria concebível

Bilionário americano repetiu que ele e seus sócios pagaram caro demais pela empresa

São Paulo

O bilionário Warren Buffett, presidente-executivo da Berkshire Hathaway, afirmou neste sábado que está satisfeito com a parceria com a empresa brasileira de investimentos 3G Capital, em meio a uma crise na Kraft Heinz, empresa que eles controlam juntos.

Falando em maratona de perguntas e respostas em evento anual da sua companhia, Buffett afirmou ser concebível que atuem juntos novamente em algo que surja. A 3G Capital tem entre seus fundadores os bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

A Kraft Heinz está sendo investigada pela SEC (Securities and Exchange Commision), órgão regulador do mercado americano, por questões relacionadas à sua contabilidade e que cortaria os dividendos em um terço.


A companhia também tem sofrido queda nas vendas em razão da mudança de hábito de consumidores, que vêm trocando alimentos industrializados por produtos mais saudáveis. 

Em fevereiro, a empresa anunciou uma baixa contábil de US$ 15,4 bilhões (R$ 60,5 bilhões) após rebaixar o valor de algumas de suas marcas. 

Em abril, a empresa anunciou que o brasileiro Bernardo Hees será substituído no início de julho pelo português Miguel Patricio,  em sua presidência.

A exemplo do que tinha feito mais cedo neste ano, Buffett voltou a avaliar que pagou muito pelo negócio.

"A Kraft Heinz ainda está muito bem operacionalmente, mas pagamos demais", disse.

"Você pode transformar qualquer investimento em um mau negócio pagando demais. O que você não pode fazer é transformar algo em um bom negócio pagando pouco", acrescentou.

Buffett e o grupo de investimento brasileiro 3G Capital adquiriram a Kraft em 2015, para fundi-la com a Heinz, em uma transação que avaliou a Kraft em US$ 62,6 bilhões. No momento da fusão, a companhia combinada tinha valor de mercado de US$ 89 bilhões

Warren Buffett, presidente-executivo da Berkshire Hathaway, durante a conferência anual da empresa em Omaha (EUA) - Johannes EISELE /AFP

Falando sobre os sócios, Buffett também disse que, em alguns casos, "eles (da 3G) têm mais gosto por alavancagem do que nós", mas ponderou que, em certos tipos de situações, "seriam operadores muito melhores".


Durante a sessão neste sábado, Buffett disse ainda que Lemann é seu "bom amigo" e um "maravilhoso ser humano".

A Berkshire informou que os ganhos em seus investimentos em ações geraram um lucro de US$ 21,66 bilhões no primeiro trimestre, quando também recomprou US$ 1,7 bilhão em ações.

Os resultados excluíram os lucros operacionais vinculados à participação de 26,7% da Berkshire na Kraft Heinz porque a empresa de alimentos não divulgou seus próprios resultados trimestrais auditados, afirmou Buffett a repórteres, antes da reunião anual.

"É bastante incomum", disse Buffett sobre os problemas de divulgação da Kraft.

Com Reuters

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