Descrição de chapéu Previdência Governo Bolsonaro

Há estados, mesmo da oposição, que estão ficando sem recursos para Previdência, diz Guedes

Ministro participa de audiência na comissão especial da reforma da Previdência

Brasília

Em audiência na comissão especial da reforma da Previdência, o ministro Paulo Guedes (Economia) ressaltou que, por causa da crise nas contas públicas, estados, inclusive da oposição, estão ficando sem recursos para pagar salários e aposentadorias.

Segundo o ministro, a reforma é para garantir esses pagamentos.

Em tom voz mais elevado, ele atacou os altos valores de aposentadoria de servidores do Congresso apontando para funcionários da Câmara que estão na sala.

Alertar para as dificuldades financeiras de governadores de oposição é uma estratégia da equipe econômica para convencer deputados a apoiarem as mudanças nas regras de aposentadorias e pensões e manterem os efeitos das medidas também para estados e municípios.

Rogério Marinho, secretário da Previdência, e Paulo Guedes, ministro da Economia, conversam durante sessão da comissão especial da Câmara sobre a reforma da Previdência - Adriano Machado/Reuters

Cresce no Congresso o desejo de que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma da Previdência não crie regras para servidores estaduais e municipais.

Deputados querem que os governadores e prefeitos que fazem campanha contra a proposta tenham o desgaste político de aprovar medidas impopulares nos respectivos órgãos legislativos.

“Há estados, mesmo da oposição, que estão sem pagar, atrasando pagamentos para fornecedores, atrasando em salários e começando a atrasar também pagamentos da Previdência”, afirmou Guedes, diante da comissão, composta por deputados de partidos aliados ao presidente Bolsonaro, independentes ao governo e de oposição.

Para o ministro, isso é uma ameaça que pode “engolir o Brasil e precisa ser atacada frontalmente”.

“Se não fizermos nada, não há garantia de que os pagamentos poderão ser feitos como vários estados estão experimentando”, completou Guedes.

Aos deputados, ele repetiu que a reforma da Previdência visa retirar privilégios. Como exemplo, ele citou que um servidor do Legislativo se aposenta, em média, com R$ 28 mil por mês, enquanto a média de aposentadoria no setor privado é de R$ 1,4 mil.

“Isso não é razoável”, disse o ministro, destacando o alto valor de quem faz parte do processo legislativo.

Na primeira parte da audiência pública, Guedes tinha 20 minutos para explicar a reforma da Previdência e tentar diminuir as resistências de deputados em relação ao tema.

O ministro, contudo, não usou os cinco minutos finais.

Ele repetiu números apresentados à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), primeira fase da tramitação da PEC, e reforçou que o Congresso tem o poder de decisão ao analisar a proposta de reforma apresentada por Bolsonaro.

Guedes chegou acompanhado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos maiores fiadores das mudanças nas regras de aposentadorias.

O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) também compareceu à sessão da comissão especial da reforma.

Após a apresentação da proposta aos deputados, Guedes passou a responder a perguntas dos presentes.

Ao ser questionado sobre o rombo na Previdência pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o ministro voltou a se exaltar.

“Quem fica 16 anos no poder não tem o direito de virar agora, com 4 meses, e dizer que tem desemprego enorme, tem 50 milhões de pessoas desempregadas”, disse. “De onde virá o crescimento? Virá assim que nós repararmos os rombos causados. Os rombos foram amplos, gerais e irrestritos. Rombo na Petrobras, na Telebras, no fundo da Petrobras, no fundo dos Correios, nos Correios. Quebraram muita coisa. É difícil consertar.”

Guedes afirmou ainda que o Brasil só retoma o crescimento após a aprovação da reforma. “Está crescendo 1%. Eu até podia dizer que está crescendo o dobro do que vocês cresceram, mas não vamos dizer isso, porque o crescimento é medíocre, absolutamente medíocre.”

“Nós estamos tentando ir para o caminho da prosperidade, e não para o caminho da Venezuela. Do ponto de vista econômico, não estou falando do ponto de vista político.”

Thiago Resende, Danielle Brant e Angela Boldrini

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