Rede diz ao Cade que guerra das maquininhas é concorrência saudável

Empresa passou a pagar vendas no crédito à vista de pequenos lojistas em 2 dias

São Paulo

Acionada no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por supostas práticas anticompetitivas, a Rede, empresa de maquininhas controlada pelo Itaú, afirmou que a chamada guerra no setor mostra que há um ambiente saudável de competição.

A ação foi iniciada pela Abipag, associação de maquininhas independentes –não ligadas a bancos.

Cartões de crédito
Empresa controlada pelo Itaú fez ataques a concorrentes que criticaram sua oferta - Martin Bernetti - 15.mai.13/AFP

A Rede passou a pagar vendas no crédito à vista de pequenos lojistas em 2 dias, e não mais em 30, como é a prática do mercado.

Para sustentar que sua oferta não era uma prática predatória, a Rede anexou a sua defesa uma série de ofertas anunciadas pelos concorrentes. Cada uma das empresas citadas se movimentou oferecendo descontos em uma dessas linhas de receita.

A receita do setor de maquininhas vem de três fontes: a taxa de desconto (cobrada do lojista a cada venda no cartão), antecipação de recebíveis (quando o lojista não deseja esperar o pagamento por 30 dias) e a venda ou aluguel da maquininha.

“Com o prazo reduzido, não há mais a antecipação do recebível, ao menos, no que tange ao pagamento de compras com cartão de crédito à vista”, escreveu a Rede ao Cade.

Segundo a empresa, o crédito à vista representa 30% de todas as transações com cartão da empresa e sobe a 47% quando são consideradas apenas as transações no crédito (o demais são as operações a prazo). A empresa continua dando lucro, afirma a Rede.

No documento, a Rede disse ainda ao Cade que as empresas que questionaram a nova oferta adotam o “discurso de vitimização” e acrescentou que não é papel do órgão defender empresas da concorrência.

A empresa controlada pelo Itaú fez ainda outros ataques a concorrentes que criticaram a oferta. Afirmou que não há subsídio cruzado entre a operação de maquininhas e o Itaú, onde clientes são obrigados a receber as vendas se quiserem o pagamento em dois dias.

“A Rede entende que as críticas  [...] somente servem como discurso para que os concorrentes escondam sua ineficiência e sua dependência de um modelo de negócios que em breve se mostrará obsoleto em função de novas tecnologias de pagamento, ou seja, a antecipação de recebíveis.”

De acordo com a companhia, não há venda casada na operação, já que é possível escolher o domicílio bancário e, mesmo que ele seja o Itaú, o dinheiro pode ser transferido para outra instituição financeira sem custo. Ela acusa outros concorrentes da prática.

“Na verdade, a prática de venda casada está sendo ostensivamente adotada por alguns outros players do mercado de credenciamento, que, em alguns produtos, só prestam esse serviço ao cliente se, e somente se, ele se comprometer a receber a liquidação das transações realizadas por meio de cartão mediante crédito dos respectivos recursos numa chamada "conta eletrônica" ou "digital" mantida junto à mesma credenciadora. Se o cliente não aceitar tal "condição", o serviço de credenciamento não lhe é prestado. Isso sim é venda casada!”, encerra a Rede em sua defesa.

Nenhuma empresa é citada diretamente nos ataques.

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