Reestruturação da Inbrands é movida a planilhas, gráficos e muita água mineral

Executiva que comanda as áreas de imagem e criação de marcas como Ellus, investe na criatividade

Pedro Diniz
São Paulo

Após rolar ladeira abaixo nos gráficos de vendas dos últimos três anos, a holding de moda Inbrands colocou em curso, no ano passado, um plano de reestruturação interna para fazer suas dez marcas voltarem a crescer. 

Figura importante dessa retomada, a paulista Adriana Bozon passou a liderar as equipes de imagem e criação, começando pelas superavitárias Ellus, Bobstore, 2nd Floor e Richard's.

De uma sala de vidro da qual comanda 160 pessoas na sede do grupo, na zona sul de São Paulo, ela aprova, reprova e ajusta todas as fases do processo de confecção das roupas, das campanhas e do visual de lojas, a tríade aspiracional que diferencia a indústria da moda de todas as outras.

Se para vender estilo uma marca precisa mais do que um produto funcional, é ela quem define o pacote completo entregue aos clientes das mais de 300 lojas próprias e franquias do grupo espalhadas pelo país. 
Em sua mesa, a executiva agrupa a parafernália em blocos, não exatamente em ordem de importância, para não se perder em meio às tarefas.

Bozon acredita que de nada adianta ter grandes ideias se elas não podem ser postas em prática. Por isso, controla tudo o que é criado com base em relatórios de estações passadas e números regionais. Analisa os gráficos e, a partir deles, tem uma noção do risco de cada costura da coleção.

A reportagem foi ver de perto como essa executiva organiza a sua rotina de trabalho e chegou minutos depois de Bozon apresentar as coleções do segundo semestre para fraqueados e gerentes. 

Ela foi logo se desculpando pela bagunça de araras que tomava metade da sala. "Essas roupas nunca ficam aqui, tá? É que gosto de ver antes de falar sobre elas", explica.

Sob sua gestão e supervisão, o grupo se prepara para abrir os primeiros 40 pontos "shop in shop" das grifes Bobstore e Ellus, nos quais um espaço exclusivo e personalizado das grifes ocupa lojas multimarcas em mercados pouco explorados.

De Paraty a Ipatinga, de São Luís a Avaré, ela tem sempre nas mãos planilhas sobre as quais se debruça quando viaja com equipes de "visual merchandising" —as que definem a estratégia de comunicação visual dos pontos— para ver de perto os espaços e também decidir o que cada um vai receber das quase 600 roupas e 120 acessórios só da Ellus.

Desde que assumiu o controle sobre a imagem de todas as etiquetas da holding, Bozon teve de descer do salto. Evitou a todo custo o chinelo azul da Havaianas, que agora compõe a paisagem repleta dos logos da Inbrands dispostos pela sala, mas voltou atrás por ter de andar o dia inteiro entre as equipes.

"Mas, olha, é um chinelo com plataforma. Não largo o salto", brinca.

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