Santander investirá no Brasil R$ 2,7 bi em digitalização de contas

Segundo Ana Botín, novas tecnologias e reformas, em especial da Previdência, são essenciais para reduzir juros e criar empoderamento financeiro

Alexa Salomão
Boadilla (Espanha)

Segundo Ana Botín, presidente global de grupo Santander, a operação brasileira do banco vai receber cerca de R$ 2,7 bilhões em investimentos neste ano para reforçar o processo de digitalização de seu sistema. A cifra equivale a 30% do aporte global de € 2 bilhões (R$ 9,04 bilhões) previsto no plano estratégico do banco para 2019.

Nos próximos três anos, o plano prevê investimento global de € 20 bilhões (R$ 90,4 bilhões) em novas tecnologias, para transformar o Santander em um banco totalmente digital.

A instituição também está adotando o chamado open banking, espécie de plataforma em que os dados e cadastros podem ser compartilhados mediante autorização dos clientes.

Presidente Global do Santander, Ana Botin
Presidente Global do Santander, Ana Botín - Sergio Perez/Reuters

O sistema, considerado inovador, é visto como item essencial para elevar a competição, não apenas entre bancos mais tradicionais, mas também entre as chamadas fintechs, novas empresas financeiras.

Ana informou que o primeiro open banking na América Latina será operado na Argentina. 

A digitalização é a principal estratégia de crescimento da instituição, especialmente em países emergentes. Segundo Ana, o uso de novas tecnologias tem permitido uma rápida redução nos custos, elevado a produtividade e aberto espaço para criação de produtos com taxas de juros menores.

Na avaliação de Ana Botín, a digitalização é uma das ferramentas para reduzir as taxas de juros no Brasil.

Outro instrumento básico, defende a acionista do Santander, são as reformas, em especial a reforma da Previdência, pois o acelerado aumento da dívida pública eleva o risco fiscal, um dos fatores que pressiona as taxas do sistema financeiro brasileiro.

“Não há crescimento, muito menos crescimento inclusivo, sem sustentabilidade fiscal”, diz Ana. “Temos que ter sustentabilidade fiscal para baixar o juro no Brasil. Já está muito mais baixo do que já esteve. Mudanças nas aposentadorias são super importantes.”

No Brasil, o Santander tem 24,9 milhões de clientes, 12,3 milhões já em contas digitais, um crescimento de 35% no primeiro trimestre deste ano.

Cerca de 330 mil são clientes da baixa renda, 70% mulheres, inseridos nas linhas do Prospera, a empresa de microcrédito do banco que opera com taxas de juros menores, próximos de 2,7%, quase metade da taxa media para empresas de menor porte. 

Ana Botín falou com jornalistas durante o 8º Encontro Santander América Latina, na sede do banco, em Boadilla, na Espanha. 

Ela defendeu que práticas inclusivas de gênero e raça são fundamentais para a expansão do sistema bancário e para a produtividade das nações, e afirmou que o Santander tem a meta de bancarizar 10 milhões de pessoas na América Latina até 2025.

Disse que o Santander está atento ao que chamou de “empoderamento das pessoas pelas finanças” e reforçou que “a inclusão financeira abre enormes possibilidades na América Latina”. 

Lembrou que a fatia não bancarizada ainda é grande, e que a redução de custos com as novas tecnologias abre espaço para a oferta de produtos mais baratos, permitindo uma nova etapa da inclusão bancária. 

Lembrou que a América Latina tem 300 milhões de pessoas da chamada nova classe média que estão parcialmente bancarizadas e outros 200 milhões totalmente excluídas do sistema financeiro. 

Nos últimos 15 anos, a classe medida recebeu mais 60 milhões de pessoas. Serão outros 60 milhões nos próximos dez anos, ou seja, um contingente imenso de novos clientes acessíveis pela digitalização em curso.

Segundo o IBGE, em 2016, dado mais recente disponível, 52 milhões de brasileiros estavam fora do sistema financeiro.

“Um sistema financeiro que funciona trabalha pela inclusão digital”, disse a presidente global do Santander. 

Uma das raras banqueiras no mundo dos negócios financeiros no comando de um banco, Ana Botín defendeu a necessidade de priorizar a bancarização das mulheres e de incentivá-las a serem mais ativas no mercado de trabalho.

“No banco, os homens muitas vezes apresentam 60% das competências para serem aprovados, mas são aceitos; as mulheres têm 100%, 200%, mas não entram. Porque os homens são mais autoconfiantes que as mulheres e isso precisa mudar”, disse Ana. 

A jornalista viaja a convite do Santander

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