Se Alca tivesse vingado, Brasil hoje seria outro, diz secretário do governo Bolsonaro

Decisões da diplomacia dos governos petistas influenciaram entrave nas negociações, diz ele

Raquel Landim
São Paulo

O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo, afirmou nesta quinta-feira (16) que, se as negociações para um Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) tivessem sido concluídas, a economia brasileira estaria bem melhor.

“Se a Alca tivesse vingado, o Brasil hoje seria outro”, disse Troyjo. “Teríamos uma renda média mais próxima dos países mediterrâneos da Europa e não estaríamos presos na renda média”. 

As declarações foram feitas durante seminário realizado pela Amcham (Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos). Segundo o secretário, as discussões da Alca não avançaram por diversas razões, inclusive pelas decisões tomadas pela diplomacia dos governos petistas.

Marcos Troyjo durante seminário na Folha realizado em 2018 - Keiny Andrade - 22.nov.18/Folhapress

Troyjo acredita que as relações entre Brasil e Estados Unidos tem a principal oportunidade dos últimos 70 anos de chegar “ao lugar que merecem”, mas que a sociedade brasileira precisa definir “rápido” se quer avançar nesse sentido.

Ele citou três argumentos para sustentar sua afirmação: a boa relação entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump; um contexto internacional que favorece a aproximação com os EUA; o fato de o governo americano dispor hoje de uma autorização do Congresso para negociar acordos de livre comércio.

E comparou o período atual aos governos de Fernando Henrique Cardoso, no Brasil, e Bill Clinton, nos Estados Unidos, em que os dois presidentes tinham um ótimo relacionamento, mas o Executivo americano não dispunha de um “fast track” do Legislativo para discutir novos acordos bilaterais.

O secretário, no entanto, não fez referência ao protecionismo da administração Trump, que forçou uma renegociação do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e que poderia atrapalhar as discussões de um possível acordo com o Brasil. Brasil e Estados Unidos são fortes competidores no agronegócio.

Como exemplo das boas relações entre Bolsonaro e Trump, Troyjo citou o compromisso assumido pelos Estados Unidos de apoiar o pleito do Brasil de se tornar membro da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O secretário disse ainda que, na reunião da OCDE marcada para a semana que vem em Paris, o governo brasileiro deve discutir o cronograma das reformas que precisa fazer para ingressar na entidade. Segundo ele, o ingresso na OCDE será fundamental para atrair investimentos para o Brasil.

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