Shows do Dia do Trabalhador atraem multidão ao Anhangabaú

Comemoração comandada por centrais sindicais teve clima de esvaziamento polÍtico

Laísa Dall'Agnol
São Paulo

Passados os discursos políticos da primeira parte da comemoração do Dia do Trabalho, nesta quarta-feira (1º), o clima foi de descontração com shows de artistas de peso no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo.

A festa acabou por volta das 20h. Organizado por CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, entre outras entidades, o evento levou ao palco samba, sertanejo e funk.

A sambista e deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP) foi uma das primeiras cantoras a se apresentar.
“Adoro muito a Leci, já perdi a conta de quantas vezes a vi cantar. Sou fã mesmo”, disse a administradora de empresas Roberta Menezes.

Nomes como Marília Cecília e Rodolfo, Guilherme e Santiago, Yasmin Santos, Felipe Araújo e Roberta Miranda —que prestou homenagem à cantora Beth Carvalho, morta nesta terça-feira (30), ao cantar o sucesso ‘Vou Festejar’— animaram a festa.

O sucesso da noite ficou mesmo com a cantora Ludmilla, que se apresentou por quase uma hora.“Vim só por causa dela! Lud arrasa demais. Esse foi o melhor ano do 1º de Maio”, disse o estudante Cléber dos Santos, 23.

Combinando com as cores que predominavam nos balões, panfletos e camisetas nesta tarde no Anhangabaú, Ludmilla subiu ao palco com um body vermelho brilhante e cumprimentou os “trabalhadores brasileiros” com um boa noite lembrando “as lutas” e pedindo por mais “igualdade”.

Sem citar a principal pauta da comemoração deste ano —a crítica das centrais contra a reforma da Previdência—, a funkeira carioca não era presença 100% confirmada no evento para alguns internautas.

Um suposto apoio da cantora a Jair Bolsonaro (PSL) ao curtir uma postagem do presidente no Instagram, na qual aparecia jogando videogame em sua casa no Rio de Janeiro em novembro de 2018, foi relembrado.

As atrações garantiram a presença expressiva de público, mas o esvaziamento político do evento chamou a atenção.

Eventuais palavras de ordem como “Lula Livre”, “Reforma da Previdência Não” e “Fora, Bolsonaro” ecoavam vez ou outra em segundo plano pelas caixas de som, sem muita adesão do público.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, a celebração havia reunido lideranças políticas do PT e do PSOL no mesmo palanque que o deputado Paulinho da Força, que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016.

Apesar do discurso de união, os políticos divergiram a respeito de como a oposição deveria lidar em relação a Bolsonaro, sobretudo sobre a possibilidade de um eventual impeachment.

Também mais cedo, líderes de centrais sindicais foram vaiados em alguns momentos, por simpatizantes de outras centrais.

A discordância se deu pela falta de consenso no chamamento de greve geral programada para 14 de junho.

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