Acordo Mercosul-UE pode elevar em US$ 10 bi exportações do Brasil, projeta CNI

Segundo estudo, 778,4 mil empregos poderão ser gerados a partir do tratado

Danielle Brant
Brasília

O acordo fechado entre Mercosul e União Europeia poderá aumentar em US$ 9,9 bilhões (R$ 38 bilhões) as exportações brasileiras para o bloco europeu, um aumento de 23,6% em dez anos, e terá potencial para gerar 778,4 mil empregos, projeta estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Para a Confederação, o aumento não é trivial. De 2012 e 2016, lembra a CNI, as exportações brasileiras para a UE caíram de US$ 49,1 bilhões (R$ 189 bilhões) para US$ 33,4 bilhões (R$ 128,6 bilhões). Houve leve recuperação em 2017 e, no ano passado, os embarques somaram US$ 42,1 bilhões (R$ 162 bilhões). Desse total, 56% foram de bens industrializados.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI em seminário sobre o Futuro do Emprego e o Emprego do Futuro
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI em seminário sobre o Futuro do Emprego e o Emprego do Futuro - Reinaldo Canato / Folhapress

De acordo com estudo da CNI, dos 1.101 produtos que o Brasil pode exportar para a União Europeia, 68% possuem tarifas de importação ou cotas. “Esse acordo pode representar o passaporte para o Brasil entrar na liga das grandes economias do comércio internacional”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

“Cria novas oportunidades de exportação devido à redução de tarifas europeias, ao mesmo tempo que abre o mercado brasileiro para produtos e serviços europeus, o que exigirá do Brasil aprofundamento das reformas domésticas”, complementa, lembrando que, como a mudança será gradual, as empresas terão tempo para se adaptar à nova realidade.

Os dois blocos formarão uma área de livre comércio com um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 19 trilhões, com um mercado de 750 milhões de pessoas, estima a CNI. 

Os produtos nacionais passarão a ter acesso preferencial a 25% do comércio do mundo com isenção ou redução do imposto de importação —atualmente, segundo a Confederação, eles só entram nessas condições em 8% dos mercados internacionais.

O acordo reduz de 17% para 0% as tarifas de importação de produtos brasileiros, como calçados, e aumenta a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico.

Para o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), o acordo prevê período e mais de dez anos de redução de tarifas para produtos mais sensíveis à competitividade da indústria europeia. No caso europeu, a maior parte do imposto de importação será zerada assim que o tratado entrar em vigor. O acordo cobre 90% do comércio entre os blocos. 


 

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