Acordo UE-Mercosul favorece governistas nas eleições presidenciais de Argentina e Uruguai

Governo argentino celebrou acordo afirmando que negociações se intensificaram na gestão Macri

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O acordo bilateral fechado entre Mercosul e União Europeia após mais de 20 anos deve favorecer candidatos governistas nas eleições presidenciais de Argentina e Uruguai. 

Os dois países escolhem novo presidente no dia 27 de outubro. Macri tentará a reeleição com o país atravessando uma crise econômica profunda. E, por isso, o anúncio do acordo funciona como uma notícia positiva para o governo. Já no Uruguai, o atual presidente, Tabaré Vázquez, não pode concorrer a reeleição, mas seu partido, a Frente Ampla, é o favorito nas pesquisas. 

A chancelaria argentina emitiu um comunicado celebrando um “acordo sem precedentes para ambos os blocos” e que “termina um processo negociador de mais de 20 anos”.

"Muito mais que um acordo, trata-se de um avanço estratégico no posicionamento argentino no cenário internacional que reforça a agenda internacional de nosso país e de nosso governo", afirmou o chanceler argentino Jorge Faurie.

O governo argentino fez o anúncio de forma festiva, tentando capitalizar o feito para o presidente Mauricio Macri, que concorre à reeleição neste ano. A chancelaria enfatizou que os esforços de negociação foram dobrados depois de 2016, ou seja, durante a gestão atual. 

​Horacio Reyser, chefe negociador da Argentina junto ao tratado Mercosul e UE afirmou que o acordo reflete uma estratégia do governo Macri de inserir a Argentina no mundo, plano iniciado junto com o novo governo. 

"Tínhamos acordos com 10% do PIB mundial, e agora teremos com 30%. Foi resultado da liderança do presidente Macri", afirmou Reyser, reforçando a tentativa do governo argentino de capitalizar politicamente o acordo.

Também se pronunciou politicamente sobre o acordo o ministro do Trabalho e da Produção, Dante Sica. Ele afirmou que "antes do governo Macri, a Argentina estava encerrada ao mundo", e que o país era a terceira economia mais fechada do mundo. "Esse tratado ainda nos beneficiará na melhoria das nossas instituições, no estabelecimento de regras claras e de transparência para nossos investidores", acrescentou.

Macri sucedeu Cristina Kirschner na presidência. Neste ano, ela deve concorrer em uma chapa liderada por Alberto Fernández.

O anúncio argentino reforça que o acordo é um marco que “consolida as nossas empresas em cadeias globais de valor, promove a chegada de investimentos, acelera o processo de transferência tecnológica e aumenta a competitividade da economia, o que gerara um incremento do PIB argentino e o aumento de emprego de qualidade.”

A notícia chega depois que o governo anunciou cifras ruins para a economia, como o aumento da inflação, em 55% no acumulado dos últimos três meses, e do desemprego, que esta em 10,1%, a primeira vez que chega aos dois dígitos desde 2006.

Para o economista Marcelo Elizondo, o acordo importa para a Argentina, porque “historicamente, se trata de um país com pouca propensão para a abertura, tendo atá hoje perdido oportunidades grandes de inserção internacional”.

Por conta disso, Elizondo crê que o acordo pode causar “um giro no modo como reformamos nossas instituições”. Alerta, porém, que a Argentina e o Mercosul não devem deixar para um segundo plano aproximações já em andamento, “como com a com a Aliança do Pacifico e países asiáticos”, conclui Elizondo.

A oposição argentina reclamou do acordo. O candidato kirchnerista, Alberto Fernandez, disse que: "não há nada para ser festejado, o acordo gera muitos motivos para preocupar-nos".

Durante o governo de sua candidata a vice, Cristina Kirchner, a Argentina adotou politicas protecionistas no comercio exterior.

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