Caixa quer vender ações no banco PAN e em corretora de seguros

Banco planeja se desfazer de ativos que não são considerados chave, incluindo Caixa Seguridade e Loterias

Danielle Brant
Brasília

A Caixa Econômica Federal planeja vender suas ações no Banco PAN e na corretora de seguros Wiz, em mais um passo para se desfazer de negócios que não são considerados chave para o banco, informou o presidente do banco estatal, Pedro Guimarães, nesta segunda (24).

Dentro dessa diretriz se insere ainda a venda de papéis da Petrobras, em operação cujo período de reserva termina nesta segunda-feira (24)  e com a qual o banco público espera levantar R$ 7,5 bilhões.

Em entrevista na qual detalhou o balanço do primeiro trimestre, Guimarães reconheceu que o banco PAN gerou perdas relevantes para a Caixa. Para minimizar os prejuízos, a Caixa decidiu exercer opção de compra de ações do PAN quando os papéis estavam a R$ 2,50. Segundo Guimarães, a operação até o momento deu um retorno de R$ 600 milhões.

“É a primeira vez que a Caixa Econômica Federal teve um retorno positivo com investimento no banco PAN”, afirmou. Ele disse estar conversando com o BTG, outro acionista do PAN, sobre a venda de participação da Caixa no banco.

“Não faremos nada que não seja coordenado com o sócio, que, no caso, é o banco BTG. Porque nós só faremos alguma coisa totalmente coordenada”, disse.

A compra de parte do banco PAN pela Caixa foi alvo de investigação deflagrada pela Polícia Federal em 2017. A PF apurava suspeitas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro na transação, aprovada pelo Banco Central, mas que pode ter prejudicado a Caixa.

Os antigos executivos do PanAmericano já tinham sido alvo de investigações em 2010 e respondem a ações movidas pela Justiça Federal em São Paulo pelas fraudes contábeis que levaram o banco à intervenção do BC.

Em 2009, a Caixa comprou 35% do capital social do Panamericano (49% do capital votante e 20% do não votante), com planos de expandir o crédito imobiliário para o segmento de baixa renda. Em 2011, o apresentador Sílvio Santos vendeu o Panamericano para o BTG Pactual por R$ 450 milhões.

A Caixa também aguarda com expectativa a conclusão da operação de venda das ações da Petrobras que termina nesta terça (25). Ao todo, o banco público venderá 241,3 milhões de ações da petrolífera, equivalente a 1,85% do capital da companhia. A operação envolve apenas ações ordinárias, que dão direito –o banco detém 3,2% dessas ações.

De acordo com a Petrobras, a Caixa ficará com as 36,3 milhões de ações preferenciais, que não têm direito a voto, mas preferência no pagamento de dividendos, que tem em sua carteira. O valor equivale a 0,36% do capital total da estatal.

Nesta segunda, o presidente da Caixa revelou ainda a intenção de se desfazer da fatia indireta de 12% que o banco tem na corretora Wiz, controlada pela Fenae (federação de associações do pessoal da Caixa), e pela CNP Assurances.

“Não faz nenhum sentido a Caixa ser o único banco que não tem uma corretora 100% própria”, criticou, lembrando que todos os concorrentes privados e o Banco do Brasil têm corretoras. “Não faz nenhum sentido estratégico, nenhum sentido matemático a gente não ter.”

Guimarães disse que o desejo da Caixa de sair da Wiz já foi comunicado à corretora. “Não tem nenhum sentido manter essa situação. É mais uma daquelas perguntas: por que isso foi feito em qualquer momento do tempo? Porque o banco mais próximo da Caixa, que é o Banco do Brasil, tem um modelo totalmente diferente, no qual ele tem 100% da sua corretora de seguros. Por que a caixa não tem 100%?”

Nos planos de Guimarães também está a abertura de capital de quatro braços da Caixa: a gestora, a Caixa Loterias, a Caixa Seguridade e a Caixa Cartões. O IPO (oferta inicial de ações) da Caixa Seguridade deve sair até outubro. O da gestora deve ser o último, porque ainda depende de autorizações do Banco Central e da Anbima (associação das entidades do mercado de capitais).

“Nós acreditamos que temos a capacidade de ter o triplo de clientes da XP investindo, e o resultado que estamos tendo em Petrobras é um indicador muito bom”, afirmou.

Erramos: o texto foi alterado

O período de reserva para pessoa física comprar papéis da Petrobras que pertencem à Caixa se encerra nesta segunda-feira (24). Em versão anterior deste texto, foi informado que a venda das ações seria concluída nesta terça-feira (25), segundo declaração do presidente da Caixa, Pedro Guimarães. A conclusão da venda será na quinta-feira (27).

E, diferentemente do informado, a operação realizada há quatro meses foi de opção de compra. O retorno é estimado pela valorização do papel desde então, considerando que a Caixa ainda não se desfez de nenhuma ação.

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