Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Dólar fecha abaixo de R$ 3,90 pela primeira vez desde abril

Moeda americana sofreu desvalorização internacional nesta segunda (3)

Júlia Moura
São Paulo

O dólar recuou 0,89% nesta segunda-feira (3) e fechou cotado a R$ 3,89, menor patamar desde 15 de abril. A moeda americana se desvalorizou no âmbito internacional após sinalização do Fed (Federal reserve, banco central americano) de um corte de juros estar próximo. As Bolsas globais, no entanto, não despontaram com notícia, com receio de desaceleração global e incertezas quanto à guerra comercial.

Nesta segunda, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse que um corte na taxa de juros americana "pode ser garantido em breve" devido aos riscos econômicos da guerra comercial entre Estados Unidos e China —e, agora, com o México— e da inflação americana.

Também nesta segunda, dados americanos mostram que a atividade industrial no país diminuiu em maio e atingiu o nível mais fraco em mais de dois anos. Dados da indústria europeia também recuaram e, os chineses se mantiveram estáveis.

Estas informações indicam que uma recessão pode estar mais próxima do que se espera. Se a tensão entre EUA e China aumentar, com a ampliação de maiores taxas para todas as importações chinesas e demais retaliações por parte de Pequim, a economia global pode entrar em recessão em nove meses, afirma Chetan Ahya, economista-chefe do  Morgan Stanley.

Com a aversão a riscos, as Bolsas globais tiveram mais um dia de queda, o dólar enfraqueceu perante as principais moedas globais e títulos americanos e alemães ficaram mais baratos.

O DXY, índice que mede a força do papel americano frente as principais moedas mundiais, recuou 0,52% após uma queda de 0,4% na sexta (31).

O título americano de dois anos atingiu a mínima nesta segunda, a US$ 1,8437, queda de 4%. Na sexta, o mesmo rendimento caiu 6,73%. Esta é a maior queda acumulada em dois dias para este tipo de ativo desde 2008.

Na Bolsa de Nova York, o índice S&P recuou 0,28% e Dow Jones se manteve de lado. Com o tombo de Google, Facebook e Amazon, o índice de tecnologia Nasdaq acelerou perdas e recuou 1,6%. 

Na Ásia, o índice Nikkei teve 0,92% de queda. Já Honkg Kong e CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, fecharam de lado.

No Brasil, o Ibovespa, maior índice acionário do país, também fechou estável, a 97.020 pontos. O dia, no entanto, foi volátil, com mínima de 96.429 e máxima de 97.756. O giro financeiro foi de R$ 14,3 bilhões, abaixo da média diária para o mês.

Com a suspensão das exportações de carnes bovinas à China por caso de vaca louca no Mato Grosso, as ações de frigoríficos despencam. JBS recuou 2,93%, a R$ 21,22. Marfrig caiu 3,5%, a R$ 6,59. Minerva, que não compõe o Ibovespa, cedeu 2,8%, a R$ 7,97. BRF, que não trabalha com bovinos mas discute fusão com Marfrig, também foi afetada e caiu 0,36%, a R$ 27,60.

Já as ações da Petrobras registraram alta. Com início da venda de refinarias, os papéis preferenciais da petroleira (mais negociados) subiram 1,72%, a R$ 25,99. Os ordinários (com direito a voto), tiveram valorização de 2,19%, a R$ 28,85.

O dólar também apresentou volatilidade, com máxima de R$ 3,9350 e mínima de R$ 3,8830.

"Como a nossa taxa de juros ainda deve ficar por 6,5%, uma queda nos juros americanos nos favorece aos olhos de investidores estrangeiros e isso acelerou a queda do dólar. Se confirmando o corte nos EUA, o investidor pode tomar posições de maior risco, até porque no Brasil as chances de aprovação da previdência subiram", afirma Alessandro Faganello, da corretora Advanced.

(Com Reuters)

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