Em novo corte, Bradesco prevê crescimento de 0,8% do PIB em 2019

Banco aponta queda na confiança de consumidores e empresas e deterioração de cenário econômico global

Filipe Oliveira
São Paulo

O Bradesco voltou a reduzir sua previsão para o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) em 2019.

O banco havia projetado o crescimento da economia para o ano em 1,1% no dia 11 de maio, apontando resultado igual ao de 2018.

Agora, afirma em relatório que o crescimento será ainda menor, de 0,8%. No início do ano, o crescimento projetado era de 2,5%, em meio a expectativa com a entrada do novo governo.

Segundo o banco, a queda de 0,2% no PIB do primeiro trimestre, somada a queda de confiança dos empresários e consumidores e à deterioração das condições econômicas globais sugerem uma transição na atividade econômica moderada para o segundo trimestre.

O Bradesco ressalva que a previsão pode ser alterada devido a estímulos ao consumo, como a liberação de recursos do FGTS discutida pelo governo ou uma surpresa positiva com relação ao calendário de aprovação da reforma da Previdência.

No cenário externo, o Bradesco aponta como entraves ao crescimento a redução da atividade econômica mundial, as tensões comerciais entre China e Estados Unidos, com possíveis cortes de juros no segundo.

No Brasil, o banco também espera uma redução da taxa básica de juros, atualmente em 6,5% ao ano, para 5,75% até o final de 2019.

Caso essa redução não ocorra, o PIB de 2019 seria ainda menor do que o projetado, diz o relatório.


A previsão de inflação também foi reduzida, de 4% para 3,8%, em 2019, mesmo percentual projetado para o ano que vem. Segundo o Bradesco, a baixa atividade da economia não será suficiente para gerar inflação por um tempo prolongado.

A projeção de crescimento para 2020 foi mantida em 2,2%.

"As condições objetivas da economia – grau de alavancagem, posição cíclica, disponibilidade de crédito e uma agenda reformista positiva – seguem favoráveis a uma retomada do crescimento ao longo do próximo ano", disse o banco.

Sobre a Previdência, o banco afirmou que a sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo dependem  da reforma.

Segundo o Bradesco, é muito importante manter a economia da reforma próxima de R$ 1 trilhão. 


"Quanto mais robusta for a reforma, menores serão os cortes de outros gastos para cumprimento da regra do teto de gastos do governo."

A reversão de expectativas em relação ao crescimento do PIB também aparece em relatórios de outros outros grandes bancos desde abril.

A última pesquisa Focus, do Banco Central, também apontou nova redução das expectativas do mercado na segunda-feira (3), projetando 1,13% de crescimento.

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