Com alimentos mais baratos, Inflação desacelera e fecha maio em 0,13%

Nos cinco primeiros meses do ano, o IPCA acumula alta de 2,2%

Luisa Leite
Rio de Janeiro

Depois de um período de alta, os alimentos ficaram mais baratos em maio e fizeram a inflação do período cair ao menor patamar para o mês desde 2006.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, fechou em 0,13% em maio, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (7). Em abril o índice havia sido de 0,57%.

O índice foi influenciado pela queda de 0,56% no preço de alimentos e bebidas, influenciado principalmente pela redução do custo da alimentação em domicílio.

Uma das maiores variações em maio foi no preço do tomate, que caiu 15% após subir 28,6% em abril, e no do feijão-carioca, cujo preço caiu 13%.

“No mês de maio tivemos uma melhora climática. No caso do feijão e do tomate, tivemos o período de segunda safra, que intensificou a colheita”, afirmou Pedro Kislanov da Costa, analista do IBGE.

No ano, o IPCA acumulada no país soma 2,2%. Nos últimos 12 meses, o índice recuou dos 4,94% em abril para 4,66%.

Impacto mais negativo da inflação de maio veio do grupo de alimentos e bebidas
Impacto negativo mais intenso da inflação de maio veio do grupo de alimentos e bebidas - Lucas Landau/Folhapress

A maior contribuição positiva para o índice do mês passado foi a de habitação, com alta de 0,98%. Também contribuíram para o aumento os itens de saúde e cuidados pessoais.

Na habitação, a alta foi influenciada pelo aumento do gasto com energia elétrica. De dezembro a abril, estava em vigor a bandeira tarifária verde, quando não há cobrança adicional na conta de luz. A partir de maio, passou a vigorar a bandeira amarela, o que impactou os preços. 

No setor de serviços, um destaque foi a diminuição dos preços das passagens aéreas, que chega a 21,8%

“É comum haver queda no mês de maio, isso ocorreu em todos os meses dos últimos anos. Mas no acumulado de 12 meses ainda vemos uma alta de mais de 23% nas passagens”, destacou Costa. 

Combustíveis

Nos combustíveis, a gasolina teve alta de 2,6%, com variações positivas em todas as regiões do país. Já o etanol caiu 0,44%. O diesel aumentou 2,16%.

“A gente nota que nos últimos três meses tivemos uma alta acima de 2% na gasolina. Isso está at Nos combustíveis, a gasolina teve alta de 2,6%, com variações positivas em todas as regiões do país. Já o etanol caiu 0,44%. O diesel aumentou 2,16%.  relado ao reajuste da Petrobras nas refinarias, que impacta no preço ao consumidor”, disse Costa. 

O número ficou abaixo da previsão do mercado. De acordo com o último relatório Focus, do Banco Central, a expectativa era de que o índice ficasse em 0,26%. Para o ano, a previsão é de 4,04%, uma baixa em relação às semanas anteriores, quando o mercado estimava um índice de 4,06%.

Em 12 meses, o índice chega a 4,66%, dentro da meta estabelecida pelo governo, de 4,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O acumulado ainda é pressionado pela alta de junho do ano passado, quando a paralisação dos caminhoneiros ocorrida em maio causou uma alta de 1,26% nos preços.

O primeiro quadrimestre ainda foi marcado por uma alta no preço dos alimentos, causada pelas variações nas safras de frutas, verduras e tubérculos. Em abril, a alta dos itens relacionados à alimentação, que subiram 0,63%. 

INPC

O INPC, que mede a inflação das famílias com rendimentos entre 1 e 5 salários e que é usado em reajustes salariais, fechou o mês de maio em 0,15%.

O número ficou 0,45 ponto percentual abaixo de abril (0,60%). A variação acumulada no ano ficou em 2,44% e o acumulado em 12 meses, 4,78%.

Rio Branco foi o município com maior variação, desviado ao aumento da energia elétrica. O menor índice foi o de Curitiba, com deflação de 0,01%, influenciado pela queda no preço do tomate e das frutas.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.