Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Macron diz que não terá acordo com Mercosul se Brasil deixar pacto do clima

França está preocupada com impacto sobre sua indústria agrícola de importações sul-americanas

Paris | Reuters

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (27) que não assinará nenhum acordo comercial com o Brasil caso o presidente Jair Bolsonaro saia do acordo climático de Paris, ameaçando colocar em risco os trabalhos de negociações comerciais entre União Europeia e Mercosul.

As negociações da União Europeia com o grupo do Mercosul se intensificaram, com Bolsonaro dizendo este mês que um acordo poderia ser assinado “logo”, enquanto o grupo europeu o chamou de “prioridade número um”.

Presidente da França, Emmanuel Macron
Presidente da França, Emmanuel Macron - ludovic Marin - 26.jun.2019/AFP

No entanto, a irritação da União Europeia em relação ao aumento de importações de carne e a hesitação do Mercosul sobre abertura de alguns setores industriais, como o automotivo, fizeram prazos anteriores para um acordo serem descumpridos. Se um acordo estiver perto, está além do alcance.

A França em particular está preocupada com o impacto sobre sua vasta indústria agrícola de importações sul-americanas, que não teriam que respeitar as estritas regulações de meio ambiente da União Europeia.

“Se o Brasil deixar o acordo de Paris, até onde nos diz respeito, não poderemos assinar o acordo comercial com eles”, disse Macron a jornalistas no Japão, antes da reunião do G20.

“Por uma simples razão. Estamos pedindo que nossos produtores parem de usar pesticidas, estamos pedindo que nossas companhias produzam menos carbono, e isso tem um custo de competitividade”, disse ele.

“Então não vamos dizer de um dia para o outro que deixaremos entrar bens de países que não respeitam nada disso”, acrescentou o presidente francês.

Em Tóquio, onde acompanha o presidente Jair Bolsonaro (PSL) para a reunião do G20, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, evitou comentar a fala de Macron.

Questionado se o Brasil vai permanecer no Acordo de Paris, ele disse que “isso já foi dito". "Pode ou não, se for perguntado. Não está na pauta do G20 isso”, afirmou o ministro.

O ministro falou que a política de meio ambiente é totalmente injusta ao Brasil.

"O Brasil é um dos países que mais preserva meio ambiente no mundo. Quem tem moral para falar da preservação de meio ambiente do Brasil? Este países que criticam? Vão procurar a sua turma”, disse.

Heleno defendeu que o Brasil tem que buscar "o famoso desenvolvimento sustentável", que aproveite as riquezas sem prejudicar o meio ambiente.

Ele ainda afirmou que países não podem "dar palpite no Brasil".

"A gente não dá palpite em ninguém, por que que a gente não dá palpite no meio ambiente da Alemanha? Quais são as florestas que o europeu preservou? veja o que tinha de floresta no início  do século e o que tem hoje. Veja o que o Brasil tinha de floresta e tem hoje."

Ele ainda disse não ter dúvidas de que há ONGs por trás das estratégias de países que questionam a proteção ambiental no Brasil.

“Eu não tenho nenhuma dúvida, eu nunca tive nenhuma dúvida. Estratégia de preservar o meio ambiente do Brasil para mais tarde eles explorarem. Está cheio de ONG pro trás deles, ONG sabidamente a serviço de governos estrangeiros. Vocês têm que ler mais um pouco sobre isso, viu? Vocês estão muito mal informados.”

Mais cedo neste ano, a França votou contra a abertura de negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos por conta da decisão de Washington de deixar o acordo climático de Paris.

No entanto, a medida francesa não bloqueou a abertura de negociações comerciais porque a maioria necessária de membros da União Europeia a apoiou. Não está claro se a França seria capaz de levar outros países do bloco a votarem contra o acordo do Mercosul.

Antes mesmo da reunião começar, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse a parlamentares alemães que vê com grande preocupação as ações do governo brasileiro em relação ao desmatamento.

"Assim como vocês, vejo com grande preocupação a questão das ações do presidente brasileiro [em relação ao desmatamento] e, se ela se apresentar, aproveitarei a oportunidade no G20 para ter uma discussão clara com ele", afirmou a chanceler.

Com Talita Fernandes, de Tóquio 

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