Bolsas americanas se recuperam após tombo de gigantes de tecnologia

No Brasil, dólar continua trajetória de queda e vai a R$ 3,86

Júlia Moura
São Paulo

As principais Bolsas globais tiveram sessão de recuperação nesta terça-feira (4). Na véspera, as companhias de tecnologia dos Estados Unidos registraram fortes quedas com possíveis investigações antitruste sobre Google, Facebook, Amazon e Apple. No Brasil, o dólar segue em desvalorização pela terceira semana e vai a R$ 3,858.

Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Folhapress

Nesta terça, houve alívio da tensão comercial entre Estados Unidos e México. O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse esperar que os países cheguem a um acordo sobre imigração antes que o governo dos EUA execute sua ameaça de aplicar tarifas punitivas.

"Há sinais de que importa às autoridades dos EUA que haja um acordo", disse López Obrador em coletiva.

O México prepara uma proposta de imigração para apresentar a autoridades dos EUA em uma reunião agendada para quarta-feira, em Washington, com o ministro das Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que é mais provável que as tarifas, programadas para 10 de junho, sejam aplicadas e que as negociações continuem durante esse período.​

Também nesta terça, o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central americano) sinalizou um possível corte na taxa de juros "conforme apropriado" aos riscos da guerra comercial global.

As notícias impulsionaram a recuperação do mercado americano. O índice Dow Jones subiu 2%, S&P 500, 2,14% e Nasdaq 2,65%. 

A medida pode evitar nova queda no diferencial de taxa entre Brasil e EUA, com um possível corte na taxa Selic, e estimular ingressos de recursos para a renda fixa doméstica, aumentando a oferta de dólares no país.

Com a expectativa, o dólar teve mais uma sessão de forte queda e recuou 0,82%, a R$ 3,8580. 

Outro fator que contribuiu para a desvalorização da moeda foi a queda do risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) que recuou 2,48%, a 174,1 mil pontos. Na véspera, o índice recuou 1,5%.

O Ibovespa, maior índice acionário do país, acompanhou o exterior positivo e subiu 0,37%, a 97.380 pontos. O giro financeiro foi de R$ 14,5 bilhões, abaixo da média diária para o ano.

“Nos últimos três pregões operamos no limite, na máxima dos 97 mil pontos. O mercado já teve uma alta muito forte com a melhora do aspecto político e agora descansa. O discurso reformista parece que vai sair do papel. Mas, para subir mais que isso, precisamos de novidades mais concretas”, afirma Thiago Salomão, da Rico Investimentos.

A maior baixa do índice ficou por conta de Braskem, cujas ações preferenciais (mais negociadas) despencaram 17,38%, a R$ 34,03. A companhia teria sua fatia pertencente à Odebrecht vendida à holandesa LyondellBasell, que deu para trás no negócio.

"A Braskem estava precificada com o bônus de sua venda para a LyondellBasell. Sem isso, ela fica em linha com seus pares estrangeiros. Além disso, o fundamento da empresa já se deteriorava, com resultados não tão bons", diz Salomão.

Na outra ponta, a Sabesp subiu 1,28%, a R$ 48,59 com o avanço do projeto de lei sobre o novo marco regulatório para o saneamento básico.

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