Descrição de chapéu Previdência

Relator negocia com governo e avalia tirar estados e municípios de reforma da Previdência

Samuel Moreira encontrou-se nesta sexta (31) com integrantes do governo

Thiago Resende
Brasília

Após reunião, nesta sexta-feira (31), com a equipe econômica do governo, o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), passou a admitir, a congressistas mais próximos, excluir as mudanças nas regras de aposentadoria dos servidores estaduais e municipais.

Se a ideia prosperar, a reforma em tramitação no Congresso não terá efeito para estados e municípios.

O relator da reforma da previdência na Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP)
O relator da reforma da previdência na Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) - Pedro Ladeira/Folhapress

Neste sábado (1º), Moreira convocou a imprensa para dizer que esse assunto ainda está em estudo e que precisa consultar os líderes partidários.

"Não há decisão sobre isso. Não há nenhuma definição sobre isso. Esse é um assunto polêmico e grave, muito grave", declarou.

"O que vai manter ou não [estados e municípios na reforma] são os votos. E quem tem votos são os deputados", concluiu, ressaltando que está trabalhando com várias hipóteses.

Moreira esteve, neste sábado, novamente reunido com a equipe do Ministério da Economia.
 

Segundo interlocutores, uma possibilidade em estudo é prever que governadores e prefeitos possam aprovar leis ordinárias, que dependem de maioria simples, nos respectivos órgãos legislativos para aderir à reforma.

Assim, os critérios de aposentadorias dos servidores passariam a ser os mesmos do funcionalismo público federal, que continuará dentro do projeto que está no Congresso.

A ideia dele é que não haja prazo para que os governadores e prefeitos tenham que aprovar o projeto de lei ordinário. 

Técnicos do Ministério da Economia argumentam que o sistema previdenciário dos estados e municípios também precisa ser reestruturado diante da crise nas contas públicas, mas a pressão no Congresso para derrubar esse item da reforma é grande.

Embora o déficit anual na Previdência dos estados esteja próximo de R$ 90 bilhões, deputados não querem ter o desgaste político em aprovar regras mais duras para que servidores estaduais —e também municipais— se aposentem.

Essa foi uma reação à campanha de governadores e prefeitos —especialmente da oposição ao presidente Jair Bolsonaro— contra a reforma da Previdência e a quem votasse a favor da proposta.

Por isso, deputados passaram a recusar a ideia de aprovar medidas impopulares que beneficiariam o ajuste nas contas de estados e municípios.

Esse movimento cresceu nas últimas semanas e, então, foram apresentadas emendas —sugestões de mudanças na proposta de Bolsonaro— para excluir servidores estaduais e municipais da reforma.

Integrante de um partido favorável à reestruturação da Previdência, Moreira não queria poupar os funcionários de estados e municípios do endurecimento das regras, pois ele considera grave o problema fiscal desses entes.

Mas o relator e a equipe econômica consideram que, diante do cenário atual na Câmara, um texto mantendo esse item não deverá ser aprovado, prejudicando, assim, o ajuste nas contas da União.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) deve gerar uma economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos para a União.

O efeito das mudanças nas aposentadorias de servidores estaduais representaria um corte de R$ 350 bilhões nesse mesmo período; e cerca de R$ 170 bilhões no caso dos municípios.

Moreira deve apresentar o relatório à comissão especial da reforma antes do dia 15 de junho.

Ainda não há prazo para votação do parecer na comissão, que é a etapa anterior à análise pelo plenário da Câmara, onde o governo precisará de 308 votos de um total de 513 deputados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais fiadores da reforma, quer concluir a votação no plenário até meados de julho.

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