Descrição de chapéu Financial Times

Bilionário compra casa de leilões Sotheby's por US$ 3,7 bi

Duas maiores casas de leilões do mundo pertencem agora a bilionários franceses

Londres e Paris | Financial Times

Patrick Drahi, o bilionário fundador do grupo de telecomunicações Altrice, fechou acordo para adquirir a famosa casa de leilões Sotheby's por US$ 3,7 bilhões (R$ 14,3 bilhões), incluindo dívidas, em uma transação que fechará o capital da empresa depois de 31 anos.

A transação verá a holding BidFair, de Drahi, pagando US$ 57 (R$ 221) por ação ordinária da Sotheby's, com ágio de 61% ante a cotação mais recente das ações.

Mulher caminha em frente ao logo da casa de leilões Sotheby's
Mulher caminha em frente ao logo da casa de leilões Sotheby's - Philippe Lopez/AFP

A tomada de controle pelo empreendedor franco-israelense significa que as duas maiores casas de leilões do planeta estarão sob o controle de bilionários franceses. Duas décadas atrás, a Christie's, maior rival da Sotheby's, foi adquirida pela Artemis, a holding da família Pinault, da França, por US$ 1,2 bilhão.

A Sotheby's e a Christie's vêm promovendo uma série de leilões de obras de arte por valores recorde, nos últimos dois anos, à medida que o mercado de arte se recupera de uma calmaria que coincidiu com uma desaceleração mais ampla dos mercados financeira. A retomada da trajetória ascendente do mercado de arte foi cimentada pela venda de um quadro atribuído controversamente a Leonardo da Vinci, por US$ 450 milhões em 2017. Depois disso, novos recordes foram estabelecidos com leilões multimilionários de peças de David Hockney, Claude Monet e Jeff Koons.

Enquanto a Christie's escapava à atenção do público, a Sotheby's enfrentou complicações em diversos momentos por conta de intervenções de investidores ativistas. A empresa atraiu um ataque público furioso dos administradores de fundos de hedge Dan Loeb e Mick McGuire, e este último acusou seus gestores de "negligência deliberada", em 2015.

O fundo de hedge Third Point, de Loeb, é o segundo maior acionista da Sotheby's, com 14,3% de participação, e tem um representante no conselho da companhia.

A Sotheby's se esforçou por conter custos e aliviar as tensões com diversos de seus maiores acionistas. Com a recuperação do mercado de arte, em 2016 e 2017, as ações da empresa se reaproximaram de sua marca histórica: um pico atingido em 2007 que estabeleceu uma capitalização de mercado de US$ 3,8 bilhões para a empresa, e que ainda não se repetiu.

Demonico De Sole, presidente do conselho da Sotheby's, disse que o conselho "apoia entusiasticamente" a oferta de Drahi, que oferece um ágio significativo ante o valor de mercado, para nossos acionistas".

Drahi é mais conhecido por sua atividade nos ramos de telecomunicações e mídia nas duas últimas décadas, e por seu uso de aquisições alavancadas para adquirir a Altice, um império de mídia e telecomunicações que se expandiu de suas origens na França para os Estados Unidos, Portugal, Israel e a República Dominicana.

Em janeiro do ano passado, Drahi anunciou que a Altice promoveria a cisão de suas operações nos Estados Unidos e reestruturaria suas operações europeias, depois que maus resultados agravaram a preocupação sobre a capacidade da empresa de manter em dia suas dívidas de 50 bilhões de euros.

De lá para cá, as operações americanas da Altice vêm apresentando desempenho sólido, e os negócios da empresa na Europa continuam mornos, por conta do ambiente de alta competitividade no seu principal mercado, a França.
 
Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

Arash Massoudi, Eric Platt e Harriet Agnew
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