Aprovações em novos financiamentos do BNDES despencam 39% em 2019

As consultas também desabaram 49%, enquanto os desembolsos tiveram queda de 9%

Rio de Janeiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve R$ 18,7 bilhões em aprovações em novos financiamentos nos primeiros seis meses de 2019, número 39% menor do que o mesmo período do ano passado. As consultas também caíram 49% e ficaram em R$ 24,7 bilhões.

O banco ainda teve desembolsos que chegaram a R$ 25 bilhões no primeiro semestre deste ano, o que representa uma queda de 9% com relação ao mesmo período em 2018.

Do montante, 45,5%, ou R$ 11,4 bilhões, foram direcionados a infraestrutura, sendo os mais beneficiados os setores de energia elétrica e transportes.

A energia elétrica foi responsável por 19,1% de todos os desembolsos, enquanto os transportes representaram 24,3% dos investimentos liberados. A comparação com o primeiro semestre de 2018 mostra crescimento de 4% com projetos de infraestrutura. 

A agropecuária também viu suas liberações aumentarem com relação aos seis primeiros meses do ano passado. Exatos R$ 6,36 bilhões (25,3%) foram destinados ao setor, um crescimento de 10%. 

Já comércio e serviços tiveram diminuição de 56%, com R$ 2,57 bilhões liberados. A indústria foi outra com queda, de 7%, já que recebeu R$ 4,78 bilhões.

Empresas micro, pequenas e médias receberam fatia significativa dos R$ 25 bilhões liberados pelo BNDES: R$ 11,5 bilhões (45,6% das liberações), representando quase a totalidade (96%) das operações de financiamento.

Entre as regiões do Brasil, a região Sudeste, maior PIB do Brasil (38%), foi a que contou com a maior liberação, 35,9% do total, ou R$ 9 bilhões. O número, porém, é 19% menor do que o primeiro semestre de 2019. O Nordeste também teve queda, com R$ 4,7 bilhões (18,8%), 17% a menos do que no mesmo período do ano passado.

A região que mais cresceu no número de investimentos, em comparação com o primeiro semestre de 2018, foi o Norte, com aumento de 108%, impulsionado pelo setor de energia elétrica. O BNDES liberou R$ 1,6 bilhão, ou 6,5%, mais que o PIB da região, que é de 5%.

Aprovações em novos financiamentos do BNDES despencam 39% em 2019 - Sergio Moraes/Reuters

O Sul foi outro que apresentou crescimento: 27,9%, com R$ 7 bilhões, 10% a mais do que igual época do ano anterior. O resultado também supera o PIB da região, que é de 26%, informou nesta quinta-feira o BNDES.

Na semana passada, o novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, tomou posse do cargo e prometeu deixar o banco mais sustentável.

"Menos banco, mais desenvolvimento. O BNDES deve ser sustentável e não necessariamente lucrativo. Atuação complementar e pioneira, não competir onde o privado pode atuar. O banco conhece o estado como poucos, às vezes melhor que o próprio estado. E vamos acelerar o estado com privatizações e concessões financeiras. Quando interage com o estado não pode pensar no lucro, e sim no que vai acontecer com o povo daqui a 10 anos", avaliou Montezano.

Ele entrou no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão da presidência do BNDES em junho, sete meses após aceitar o convite feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

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