Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após suspensão de tabela de frete, Bolsonaro diz ter dado carta branca a ministro

Presidente afirmou que estava trabalhando desde a tarde de domingo (21) com sua equipe para discutir a ameaça de greve dos caminhoneiros

Talita Fernandes
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse que não partiu dele a decisão de suspender a tabela de frete dos caminhoneiros e afirmou ter dado carta branca para que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, tratasse do assunto. 
 
 "Dei carta branca para negociar isso aí. Eu tive informações agora de poucos minutos atrás. Se ele revogou a nova tabela, a decisão é dele e todo o governo apoia a decisão tomada nos limites dados ao ministro Tarcísio", declarou ao deixar um almoço no Comando da Aeronáutica nesta segunda-feira (22). 
 
 Bolsonaro disse estar trabalhando desde a tarde de domingo (21) com sua equipe para discutir a ameaça de greve dos caminhoneiros e que o tema foi debatido em reuniões na manhã desta segunda.

Grupo de caminhoneiros em protesto realizado em março em Curitiba - Felipe Rosa-30.mar.2019/Tribuna do Paraná

"Eu dei algumas diretrizes e outras determinações na reunião que eu participei hoje de manhã e nós temos que mais do que ter a capacidade de se antecipar a problemas. Estamos muito bem informados, o pessoal do GSI que está lá para tomarmos decisões adequadas para o futuro do Brasil." 
 
 Após ameaças de novas paralisações dos caminhoneiros, o ministro da Infraestrutura ligou para líderes dos caminhoneiros para informar a respeito da revogação da tabela de fretes.
 
Um áudio compartilhado pela categoria em grupos de WhatsApp localizado pela reportagem mostra o ministro em uma ligação ao líder caminhoneiro identificado como Marconi. O telefonema, em viva-voz, é acompanhado por grupo de caminhoneiros.
 
 "Então é o seguinte. Nós estamos revogando a tabela do dia 18. Nossa ideia é publicar no Diário Oficial hoje ainda em edição extra.  Se não publicar, no mais tardar amanhã cedo, mas vou trabalhar pela publicação hoje ainda, porque quero enviar a publicação para vocês."

 A tabela que gerou insatisfação nos caminhoneiros foi publicada na última quinta-feira (18), baseada em estudos da Esalq-Log, da USP.

 A categoria afirma não ter tido suas reivindicações ouvidas pelo governo e que os pisos definidos para o serviço não contemplam sua lucratividade.

Freitas também prometeu atender à demanda da categoria em relação a alterações no Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte), sistema pelo qual serão armazenadas e enviadas à ANTT (Agência Nacioanl de Transporte Terrestre) informações do transporte, como contratante, contratado, carga e dados financeiros para a geração de contratos eletrônicos.

Segundo Freitas, uma resolução sobre o tema deve sair em até 30 dias, quando problemas que foram identificados a respeito dele terão sido sanados. 
 
No domingo, a Folha revelou que grupos de caminhoneiros vinham distribuindo em grupos de WhatsApp da categoria áudios com supostas gravações do ministro admitindo erro na tabela de frete e prometendo  buscar soluções.

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