Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Com alta de preço, Netflix perde assinantes nos EUA, e ações caem 12%

Empresa cresce menos que o previsto e culpa conteúdo do segundo trimestre

Joe Flint Patrick Thomas
Nova York e Los Angeles | The Wall Street Journal

A Netflix encerrou o segundo trimestre com menos assinantes do que esperava, o que levou a uma queda de 12% em suas ações no chamado after market (negociações após o fim do pregão tradicional).

O serviço de vídeos obteve 2,7 milhões de assinantes no segundo trimestre, ante 6 milhões no mesmo período do ano anterior. 

Além disso, a empresa registrou uma queda de 130 mil assinaturas nos EUA —foi a primeira vez que isso aconteceu desde 2011.

Logo da Netflix em televisão - Mike Blake/Reuters

Em carta aos acionistas, a Netflix atribuiu o crescimento inferior ao esperado em parte à sua grade de programação no trimestre.

“Acreditamos que o conteúdo do segundo trimestre promoveu menos crescimento em assinaturas pagas do que antecipávamos.” 

A empresa também informou que o crescimento no número de assinantes foi menor em regiões em que houve reajuste no preço da assinatura.

Em janeiro, a Netflix, elevou de 13% a 18% o preço nos EUA. O objetivo seria financiar o investimento bilionário em conteúdo original.

No Brasil, o aumento foi anunciado em março —os planos passaram a custar mensalmente de R$ 21,90 (Básico) a R$ 45,90 (Premium, com direito a quatro telas simultâneas e ultra HD). Antes, as tarifas eram de R$ 19,90 a R$ 37,90, respectivamente.

A Netflix se prepara para concorrência mais intensa nos próximos meses, especialmente de Disney, Apple e AT&T, controladora da HBO, que estão lançando serviços de streaming próprios.

“Perder assinantes afeta as ações da Netflix mais do que qualquer outra métrica, e isso é significativo”, disse Nicholas Hyett, analista de ações da Hargreaves Lansdown.

“Ficar aquém das expectativas quando a competição está esquentando é preocupante.”

A Netflix fechou o mês de junho com 151,6 milhões de assinantes pagantes em todo o mundo e ficou abaixo de sua projeção de 153,9 milhões de assinantes e da projeção de consenso para o período, de 156,5 milhões de assinantes, entre os analistas consultados pela FactSet.

A receita subiu 26%, para US$ 4,92 bilhões, ainda ligeiramente abaixo dos US$ 4,93 bilhões previstos pelos analistas. A companhia sediada em Los Gatos, na Califórnia, obteve queda de 30% no lucro, de US$ 384 milhões para US$ 270 milhões.

Com o Financial Times, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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