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Crescimento de Huawei mostra resistência após entrar na lista negra dos EUA

Receita da empresa no primeiro trimestre foi maior do que a do mesmo período em 2018

The Wall Street Journal

A Huawei Technologies anunciou uma alta forte em sua receita no primeiro semestre do ano, a despeito de ter sido incluída na lista negra de exportações dos Estados Unidos. No entanto, a gigante das telecomunicações da China sinalizou tempos difíceis à espera, enquanto lida com as incertezas em torno do acesso à tecnologia americana.

A receita da empresa cresceu em 23%, para R$ 22 bilhões (401,3 bilhões de yuan) ante o mesmo período em 2018. O número representa uma aceleração no crescimento em relação ao primeiro semestre do ano passado. A empresa de capital fechado reporta números de acordo com critérios próprios.

Logo da empresa Huawei em aeroporto chinês
Logo da empresa Huawei em aeroporto chinês - Reuters

No entanto, a Huawei anunciou que continua a enfrentar obstáculos a garantir certas tecnologias essenciais. A empresa vê desafios à sua espera em produtos de consumo, que vinham florescendo. Eles incluem as populares operações de smartphones, de acordo com a Huawei.

"Produções e embarques não foram interrompidos, nem mesmo por um dia", afirmou Howard Liang, presidente do conselho da Huawei, nesta terça-feira (30).

O relatório oferece um primeiro vislumbre quanto à saúde financeira da empresa desde que seu nome foi adicionado à lista de restrição do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, em maio. A inclusão requer que os fornecedores solicitem licenças se desejam continuar vendendo tecnologia americana à Huawei, restringindo o acesso da empresa a componentes e software usados em seus smartphones e equipamento para celulares.

"Continuamos a ver crescimento mesmo depois de termos sido adicionados à lista", disse Liang. "Isso não significa que não teremos dificuldades à frente. Teremos, e elas podem afetar nosso ritmo de crescimento em curto prazo".

Uma indicação quanto ao peso da inclusão na lista negra dos Estados Unidos para a Huawei é a desaceleração em suas vendas de smartphones nos mercados internacionais. Liang disse que elas representam 80% do nível que exibiam antes da ação do Departamento do Comércio.

Ainda que a desaceleração tenha sido compensada por uma alta nas vendas de seus smartphones no mercado nacional chinês, analistas dizem que o sucesso da Huawei no altamente competitivo mercado interno do país depende de a empresa reconquistar o acesso ao sistema operacional Google Android. O acesso ao sistema operacional foi restringido, quando a empresa foi incluída na lista negra.

"Há alguns indicadores de que a lista já causou danos à Huawei", disse Mo Jia, analista da Canalys, uma empresa de rastreamento de dados. "O segundo semestre será certamente muito mais desafiador".

A Huawei foi a segunda maior vendedora mundial de smartphones no primeiro trimestre, atrás da Samsung Electronics e adiante da Apple, de acordo com a IDC. Bens eletrônicos de consumo responderam por mais de metade da receita da Huawei no primeiro semestre do ano.

No entanto, esses produtos são quase inacessíveis nos Estados Unidos porque as grandes operadoras de telefonia móvel não fazem parcerias com a empresa chinesa, que segundo as autoridades americanas representa ameaça à segurança nacional —o que a Huawei nega há muito tempo.

A despeito da desaceleração no mercado internacional, as exportações de smartphones da China subiram em 31% no segundo trimestre ante o período em 2018, de acordo com a Canalys. A empresa detém uma fatia recorde de 38% do mercado chinês de smartphones, o maior do planeta. A Canalys atribuiu o crescimento ao influxo de consumidores em apoio à companhia assediada.

Liang disse na terça-feira que a companhia não havia sentido impacto pea lista negra em seu lançamento da tecnologia 5G. A Huawei até o momento assinou 50 contratos comerciais para redes 5G em todo o mundo, entre os quais 11 nas semanas seguintes à sua inclusão na lista, ele disse.

Pequim considera um relaxamento das restrições americanas à empresa como precondição a qualquer negociação comercial com Washington. O secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse que o país começaria a conceder licenças de exportação de tecnologia a fornecedores cujas vendas à companhia chinesa não coloquem a segurança nacional em risco.

Os Estados Unidos, enquanto isso, vêm incentivando os fornecedores americanos à Huawei, cuja tecnologia está sujeita a regras de licenciamentos. Algumas companhias americanas sem restrições aos produtos já retomaram os embarques rumo à companhia chinesa.

Mas quanto às tecnologias essenciais que estão sujeitas às regras da lista negra - entre as quais o Android -, Liang disse que a empresa ainda não foi informada se receberá licenças.

"Quanto ao momento da concessão de licenças, não sabemos", ele disse.

A Huawei adquiriu R$ 41 bilhões em tecnologia americana no ano passado, de uma verba total de compras de cerca de R$ 18 bilhões, informou a companhia.

Ainda que a Huawei venha trabalhando em um sistema operacional substituto chamado Hongmeng, caso perca o acesso ao Android, a empresa declarou que o software foi originalmente desenvolvido para redes de telecomunicações. Seus planos para desenvolver um ecossistema de software em todo o mundo continuam incertos.

Andy Purdy, vice-presidente de segurança da Huawei nos Estados Unidos, disse esta terça-feira que o Departamento do Comércio demoraria mais do que se esperava para conceder licenças, já que as negociações comerciais entre China e Estados Unidos ainda não avançaram.

"Não há nada escrito em pedra que indique que o prazo de algumas semanas vai funcionar", disse Purdy, em referência a recentes comentários de Ross sobre o prazo para a concessão de licenças.

 The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

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