Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Economia dos EUA desacelera menos que o esperado no segundo trimestre

Consumo mais alto compensou declínio no investimento das empresas

Washington | The Wall Street Journal

A economia dos Estados Unidos cresceu em ritmo saudável no segundo trimestre, e o consumo ampliado compensou o declínio no investimento empresarial, mantendo a expansão que já dura uma década, a despeito das tensões comerciais e do resfriamento da atividade econômica mundial.

O Produto Interno Bruto (PIB), um indicador amplo da produção de bens e serviços no país, cresceu em ritmo anualizado de 2,1% no segundo trimestre, em termos sazonais e com ajuste pela inflação, anunciou o Departamento do Comércio americano na sexta-feira.

Os economistas consultados pelo The Wall Street Journal antecipavam crescimento de 2%. O ritmo anualizado representa recuo ante os 3,1% do trimestre anterior, empurrados em parte por um salto nos estoques e pela queda nas importações - fatores que se reverteram nos três meses posteriores.

O investimento empresarial caiu pela primeira vez desde o começo de 2016, no segundo trimestre, de acordo com o relatório. O investimento fixo não residencial, que reflete os gastos com software, pesquisa e desenvolvimento, equipamento e estruturas, caiu em 0,6%, ante a alta de 4,4% no trimestre precedente.

Os consumidores compensaram a tendência, porém. O consumo, que responde por mais de dois terços da economia, cresceu em ritmo anualizado e ajustado pela inflação de 4,3% no período, acelerando sua alta ante o 1,1% registrado no primeiro trimestre e estabelecendo o melhor ritmo de crescimento desde 2007.

Os americanos elevaram seus gastos com itens de alto preço como carros, além de com bens cotidianos como comida e roupas. Os gastos do governo também reforçaram, o crescimento, crescendo em ritmo anualizado de 5% no trimestre.

O relatório da sexta-feira é um dos últimos grandes indicadores da temperatura econômica que os dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, verão antes da reunião de seu comitê política monetária em 30 e 31 de julho. Eles estão preparados para reduzir a taxa de juros de referência em 0,25%, de sua faixa atual de 2,25% a 2,5%, a fim de estimular a economia dos Estados Unidos em um  momento de perda de ímpeto internacional.

Os sinais divergentes entre o avanço do consumo e o recuo dos investimentos empresariais criam um quadro confuso. A economia continua a se beneficiar do baixo desemprego e da alta da renda, mas a desaceleração no crescimento internacional e as incertezas que cercam as tarifas do comércio internacional pesam sobre as perspectivas.

As leituras de crescimento podem apresentar instabilidade de um trimestre a outro. No segundo trimestre, a economia cresceu em 2,3% ante o resultado do período em 2018.

Joe Baiz, presidente da 4front Manufacturing, uma empresa que fabrica moldes de injeção plásticos em Phoenix, disse que os negócios "se desaceleraram um pouquinho no segundo trimestre", porque a preocupação com a política comercial e as tarifas gerou "muito medo do desconhecido".

Em todo o país, empresas adotaram uma abordagem mais cautelosa quanto aos gastos, no segundo trimestre, de acordo com o relatório do PIB.

O ritmo de investimento em estruturas caiu em 10.,6%, enquanto o de gastos com equipamentos avançou, mas em apenas 0,7%.

O comércio pesou sobre o crescimento, com uma queda de 5,2% nas exportações e uma ligeira alta nas importações.

As empresas reduziram seus estoques no segundo trimestre, em lugar de ampliá-los. O investimento privado em estoques não agrícolas reduziu em 0,85 ponto percentual o ritmo de crescimento do PIB no trimestre, para 2,1%.

O setor de habitação foi um obstáculo ao crescimento pelo sexto trimestre consecutivo, com queda de 1,5% no investimento residencial, em termos anualizados, a despeito da queda nos juros hipotecários no segundo trimestre.

O indicador geral de inflação subiu. O índice de preços do consumo pessoal cresceu em 2,3% no segundo trimestre, acima do 0,4% do primeiro trimestre. Os preços básicos - com exclusão dos alimentos e energia - subiram ao ritmo de 1,8%.

O crescimento deste ano deve atingir sólidos 2,3%, a média para a atual expansão, iniciada em 2009, que este mês ser tornou a mais longa da história.

Na quinta-feira, a consultoria econômica Macroeconomic Advisors, projetou ritmo de crescimento de PIB de 2,4%. A projeção mediana dos dirigentes do Fed é de crescimento de 2,1% do quarto trimestre de 2018 ao quarto trimestre de 2019.

Muitos economistas iniciaram 2019 com a expectativa de que o crescimento se desacelerasse ante o ritmo do ano passado, devido ao esgotamento dos efeitos do corte de impostos e ao aumento dois gastos federais.

Um fator que gerou incerteza para as empresas no segundo trimestre foi a situação do comércio internacional, dado o aumento das tarifas americanas sobre bens chineses e a ameaça de implementação de tarifas sobre as importações de produtos do México, que não foi concretizada.

Para as multinacionais americanas, "a preocupação número um envolve o comércio, tarifas e o que acontecerá quanto a isso", disse Sanford Cockrell, diretor executivo da Deloitte. Os diretores de finanças estão começando a montar orçamentos para o ano fiscal de 2020, "e é difícil planejar orçamentos em um ambiente onde você não sabe onde vai parar em termos de tarifas", ele disse.

Os lucros das empresas que formam o índice de ações S&P 500 parecem ter crescido em seu ritmo mais anêmico desde a metade de 2016, no segundo trimestre.

Os lucros por ação devem crescer apenas 0,2% ante os do segundo trimestre de 2018, de acordo com uma estimativa da Refinitv, uma empresa que coleta dados financeiros, combinando estimativas de analistas aos resultados concretos dos 37% das empresas que já os reportaram.

Muitos executivos viram o segundo trimestre como mais lento que o de 2018, mas disseram que os negócios continuam firmes.

"O ano passado foi mais forte, mas ainda estamos OK", disse Keith Baldwin, presidente da Spike's Trophies, uma empresa de Filadélfia que fabrica troféus e taças. "Há muita cautela, mas ainda estamos OK".

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

 
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