Empresário argentino cobra reformas para competir com União Europeia

Empresários também questionam se compras estatais irão seguir beneficiando o Mercosul

Buenos Aires

Empresários argentinos demonstraram receio com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e passaram a cobrar reformas no país para conseguir competir com os novos parceiros comerciais.

A UIA (União Industrial Argentina) enviou aos negociadores argentinos que se reuniram em Bruxelas na semana passada para selar o acordo uma lista de itens que, afirmam, seriam fundamentais para preservar os interesses da indústria local.

Entre seus pedidos estavam as reformas trabalhista e da Previdência --ambas com grande resistência por parte dos sindicatos e da oposição peronista.

Cristiano Rattazzi, presidente-executivo da Fiat Argentina
Cristiano Rattazzi, presidente-executivo da Fiat Argentina - Enrique Marcarian - 26.nov.2010/Reuters

"O acordo não é uma boa notícia para a indústria argentina. A UIA não foi parte do processo de negociação, não fomos ouvidos e não conhecemos os detalhes. As primeiras informações não são alentadoras, pois há uma assimetria muito grande na competição", disse Guillhermo Moretti, vice-presidente da União.

O presidente-executivo da Fiat Argentina, Cristiano Rattazzi, afirmou que a Argentina enfrentará várias dificuldades para encaixar-se ao acordo e ser competitiva dentro dele, principalmente no que diz respeito às reformas.

"É preciso flexibilizar o mercado de trabalho e fazer com que seja mais barato produzir aqui, para que o país seja mais competitivo", afirmou.

Rattazzi destacou a necessidade também de uma reforma tributária. "É preciso retirar muitos impostos distorcivos", disse.

O executivo alfinetou a indústria automobilística brasileira, que hoje exporta parte de sua produção para o país vizinho.

"Hoje já existe uma invasão de veículos brasileiros [na Argentina], portanto é melhor ter também veículos europeus, que provavelmente são melhores e mais baratos", disse.

No documento enviado aos negociadores em Bruxelas, a UIA questionou a qual seria o compromisso do governo com o impacto do acordo na produção agropecuária local e na indústria farmacêutica, preocupada com a propriedade intelectual na fabricação de remédios.

Os empresários também questionavam se as compras estatais de seus produtos iam seguir beneficiando o Mercosul ou se também se privilegiariam os produtos europeus. O acordo prevê que empresas de ambos os blocos poderão participar de licitações públicas dos países englobados no acordo.

Ainda manifestaram preocupação com uma possível triangulação que beneficiaria produtos chineses que entrassem por meio da Europa e que chegariam à Argentina muito mais baratos que os produtos locais.

O presidente Mauricio Macri e os ministros da área econômica marcaram uma reunião nesta quarta-feira (3) com os principais empresários do país e da UIA para dirimir dúvidas e tranquilizar as críticas ao acordo que vêm fazendo aos meios argentinos.

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