Lucro do Santander sobe 21% no segundo trimestre

Despesa com devedores duvidosos cresce na esteira da revisão do crescimento da economia e maior participação no varejo

Josette Goulart
São Paulo

O lucro do banco Santander cresceu 21% no segundo trimestre deste ano chegando a R$ 3,6 bilhões, muito parecido com os resultados do começo do ano. O banco expandiu em quase 20% o crédito para pessoa física e continuou faturando com serviços. 

O presidente do banco, Sérgio Rial, disse que a receita do banco continua crescendo "apesar da economia relativamente anêmica”. Os analistas, entretanto, notaram uma desaceleração do ritmo de crescimento da carteira de crédito. 

Logo do banco Santander no México - Edgard Garrido/Reuters

Em sua demonstração de resultados, o banco ressalta que houve frustração com o desempenho dos indicadores de atividade econômica gerando uma onda de revisões e reduções nas projeções de crescimento do PIB. O Santander, por exemplo, que esperava que a economia crescesse 2,3% neste ano revisou para apenas 0,8%.

Rial ameniza o discurso dizendo que há sinais de que o ritmo de crescimento seja o melhor dos últimos três anos pela sinalização inequívoca da busca pelo equilíbrio fiscal e destaca a aprovação da reforma da Previdência

Perguntado se o Congresso ganhou força pela forma como a Reforma foi aprovada, Rial preferiu não responder, apesar de o balanço do banco reforçar que “o processo não foi algo linear, com idas e vindas, encontros e desencontros entre congressistas alinhados com o governo e integrantes da administração federal trazendo volatilidade aos preços dos ativos”.

“Não sou eu que escrevo o relatório”, diz Rial. 

Para que a economia cresça, segundo Rial, será preciso continuar com a doutrina fiscal, tomar medidas que ajudem a vida do empreendedor, tornar a vida de empregadores e empregados menos burocrática e aprimorar a execução da reforma trabalhista. “FGTS é injeção importante para a economia mas o que é urgente é a reativação do emprego”. 

Mesmo com a economia “anêmica” o banco não registrou alterações significativas nos índices de inadimplência com atraso superior a 90 dias. Em um ano saiu de 2,8% para 3%, crescendo na mesma proporção entre pessoa física e jurídica. 

Mas o banco registrou um aumento na despesa com provisão para devedores duvidosos entre um trimestre e outro de cerca de 12%. Dois foram os fatores segundo o vice-presidente financeiro, Angel SantoDomingo: a “volatilidade de dois trimestres” já que no primeiro trimestre o volume cai por questões sazonais, mas também a base maior de clientes pessoas físicas também têm influenciado o volume a ser provisionado, já que o custo de crédito para esse público é maior. 

De qualquer forma, a comparação anual as provisões continuam sob controle, crescendo menos de 4%, menos da metade da taxa de crescimento da própria carteira de crédito.

Esta maior representatividade do segmento de varejo no Santander pode ser vista nos números do crédito para pessoa física. O crédito consignado cresceu 23% de um ano para outro, o cartão de crédito 22%, o crédito imobiliário 12%. No total, a carteira de pessoa física atingiu R$ 141,4 bilhões. 

O financiamento ao consumo, em especial o financiamento de veículos, também cresceu fortemente, cerca de 17% em 12 meses chegando a R$ 46 bilhões (esta carteira não está considerada no crédito para pessoa física). 

Por outro lado, o segmento de grandes empresas caiu quase 6% em um ano no banco Santander.
O banco também mostra que quer continuar crescendo no segmento pessoa física e está seguindo os passos das fintechs. 

Em setembro, vai lançar a empresa SIM, plataforma de empréstimos online para concessão de crédito com base em garantias reais como moto, automóvel ou mesmo apartamento das pessoas. E em agosto, vai lançar o crédito para pessoa física de desconto de vendas pela GetNet, a marca da maquininha de cartões, com taxas de 2% e crédito em conta em dois dias.

 
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