Metas do BNDES são ousadas e precisam de estudos, dizem especialistas

Gustavo Montezano, novo presidente do banco, quer vender até R$ 100 bi em participações da carteira do BNDES

Ivan Martínez-Vargas
São Paulo

As metas do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, de devolver R$ 126 bilhões em empréstimos ao Tesouro neste ano e vender até R$ 100 bilhões em participações da carteira do banco são classificadas como audaciosas, mas realizáveis, por especialistas.

Montezano tem experiência pesada no setor privado e tentará usar essa lógica para imprimir a velocidade das operações privadas. É um ambiente completamente diferente do público, precisará de uma boa programação e uma curva de prioridades”, diz Mauro Penteado, sócio do escritório Machado Meyer.
 

O ministro Paulo Guedes e o novo presidente do BNDES Gustavo - Adriano Machado/Reuters


É preciso fazer um diagnóstico de quais ativos têm liquidez, lucratividade e atratividade de mercado, segundo ele.

“As vendas devem ser em pacotes seriados, que podem ser absorvidos pelo mercado, de R$ 10 bilhões, por exemplo.”

“Provavelmente teremos a venda de ativos bem avaliados combinados com outros não tão bons”, diz o advogado Hélio Nicoletti, do escritório Chiarottino e Nicoletti.

Caso contrário, diz ele, participações de empresas com problemas de rentabilidade ou governança, por exemplo, podem encalhar.

“É perfeitamente adequado se desfazer dessa carteira porque, mesmo que tenha papéis que rendem, esse capital público imobilizado tem um custo, poderia ser usado em financiamentos de atividades que gerem inovação, por exemplo”, diz Sérgio Lazzarini, professor do Insper.

É preciso ter, contudo, cuidados técnicos para não inundar o mercado de capitais com os papéis, diz ele.
Com o aumento dos repasses ao Tesouro, o BNDES deverá ter novas reduções no orçamento. 

“O banco vai ter de se dedicar mais a áreas importantes do ponto de vista social, como o saneamento, mas que o mercado não consegue financiar”, diz Lazzarini.
 

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