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Nissan vai cortar 12,5 mil empregos por queda de lucros

Após detenção de Ghosn, empresa tem dificuldade em superar crise; problemas nos EUA se agravam

The Wall Street Journal

A Nissan Motor anunciou que cortaria 12,5 mil trabalhadores, ou 9% de sua força mundial de trabalho, depois de reportar uma implosão nos lucros em seu trimestre mais recente, concentrada nos Estados Unidos.

A montadora japonesa de automóveis está enfrentando dificuldades para retomar o equilíbrio, depois de oito meses de turbulência que incluíram a detenção de Carlos Ghosn, o antigo presidente de seu conselho, e tensões com a parceira de aliança Renault sobre uma fusão entre as duas companhias.

Ao longo do período de tumulto, os problemas persistentes da companhia nos Estados Unidos se agravaram. A Nissan tentou reduzir suas vendas com margens baixas de lucros para locadoras de automóveis, mas descobriu que não consegue obter compradores regulares em número suficiente para manter seu volume de produção, o que deixa fábricas ociosas.

Unidade da Nissan Motors em Yokohama, no Japão
Unidade da Nissan Motors em Yokohama, no Japão - Behrouz Mehri/AFP

O presidente-executivo Hiroko Saikawa disse que a companhia planeja completar os cortes de pessoal até março de 2023, e reduzir seus custos operacionais em 300 bilhões de ienes (US$ 2,8 bilhões). A maioria dos cortes virá nas fábricas, mas a empresa está oferecendo pacotes de demissões voluntária a empregados de colarinho branco.

Alguns dos maiores cortes acontecerão nos Estados Unidos, onde a Nissan demitirá 1,4 mil de seu 21 mil empregados. Centenas de empregados na sede americana da companhia, no Tennessee, estão recebendo ofertas de incentivos para demissão voluntária, disse uma pessoa informada sobre os planos.

Índia e Indonésia, somadas, perderão mais de 2,5 mil postos de trabalho, dado o esforço da Nissan para conter os prejuízos causados pelo relançamento fracassado da Datsun, sua marca de baixo preço, em 2012. Também haverá cortes de empregos na Europa, com redução da produção de veículos da empresa no Reino Unido e Espanha.

"Deixaremos de gastar dinheiro em coisas que são menos lucrativas, ou nas quais não vejamos alta do lucro", disse Saikawa. "Cerca de 10% de nossa linha de modelos será cancelada. Os carros compactos e a marca Datsun verão os maiores cortes".

A causa dos cortes de custos ordenados por Saikawa é um declínio brutal da lucratividade. O lucro operacional da Nissan no segundo trimestre caiu para cerca de US$ 15 milhões, uma redução de 98,5% ante o período em 2018. As vendas da montadora nos Estados Unidos caíram em 3,7% no período.

As montadoras de automóveis tipicamente operam suas fábricas o mais perto possível da plena capacidade, para maximizar lucros. A Nissan informou que suas fábricas estão funcionando a 70% de sua capacidade, proporção que a montadora deseja elevar a 86%.

A queda da lucratividade da Nissan nos Estados Unidos vinha sendo causa de discórdia há muito tempo entre Saikawa e seu ex-chefe Ghosn. Dois anos atrás, ao assumir o leme da Nissan, Saikawa já estava resistindo às demandas de crescimento de Ghosn, afirmando que a companhia precisava ficar mais atenta às margens. O foco nos Estados Unidos também criou tensão na sede da Nissan, já que alguns executivos sentem que isso implicou em reduzir o investimento no mercado de origem da companhia, o Japão.

​Saikawa está tentando polir a imagem de marca da Nissan, que sofreu um abalo com as vendas em massa para frotas de locadoras e, mais recentemente com a publicidade em torno das acusações criminais contra Ghosn, que se declara inocente, no Japão.

Saikawa mencionou progresso na elevação dos preços dos veículos da Nissan nos Estados Unidos, cujo preço de venda médio em junho foi de US$ 29.935, um aumento de cerca de US$ 200 ante a média de junho de 2018, de acordo com o site de referência Kelley Blue Book. O preço fica abaixo da média setorial de US$37.825.

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci


 

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