Pressionada pelo exterior, Bolsa recua à espera de nova Selic

Ibovespa cede 0,5% com piora do mercado europeu; dólar sobe 0,2%

Júlia Moura
São Paulo

À espera de uma nova Selic, a Bolsa brasileira operou alinhada ao mercado exterior nesta terça-feira (30) e recuou 0,53%. Na quarta, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos divulgam suas taxas básicas de juros. Mas, enquanto a esperada queda no juro não vem, as Bolsas fecharam em queda com a piora do cenário europeu.

 Gráfico das flutuações dos índices de mercado da Bolsa brasileira
Bolsa recua com pressão externa antes de decisão sobre o Copom - Folhapress

O economia da França desacelerou inesperadamente no segundo trimestre, quando cresceu 0,2%, ante 0,3% nos três meses anteriores. O número veio abaixo das expectativas dos economistas, que esperavam crescimento de 0,3%.

Na Alemanha, o indicador de confiança do consumidor caiu para 9,7 de 9,8 no mês anterior. Essa foi a leitura mais baixa desde abril de 2017 e em linha com as expectativas do mercado. 

Em mais um sinal de fraqueza, o sentimento econômico da zona do euro se deteriorou e atingiu o nível mais baixo em mais de três anos em julho, segundo dados da Comissão Europeia.

"Isso reforça a evidência dos dados do PMI (Índice de Gerentes de Compras)publicados na semana passada de que a economia da zona do euro irá crescer em apenas cerca de 1% este ano, reforçando a possibilidade de ação do BCE (banco central europeu) mais cedo ou mais tarde", afirma Melanie Debono, da Capital Economics.

Além dos números desanimadores, a iminência de um Brexit sem acordo, com o novo primeiro-ministro britânico Boris Johnson, derrubou a libra, que foi a US$ 1,2166, e a Bolsa de Londres, que cedeu 0,52%. A moeda britânica se aproxima do menor valor ante o dólar desde 1985, quando valia US$ 1,05.

O risco-país do Reino Unido medido pelo CDS (Credit Defaut Swap) disparou. O contrato de cinco anos subiu 8,39%, a US$ 31,45. 

Com o viés negativo, a Bolsa de Frankfurt cedeu 2,18% e a de Paris, 1,61%. 

Nos Estados Unidos, a queda foi amenizada pela expectativa no corte de juros americano. Dow Jones recuou 0,1%, S&P 500, 0,26% e Nasdaq, 0,24%. 

No Brasil, a Bolsa recuou 0,53%, a 102.932 pontos. O giro financeiro foi de R$ 15 bilhões.

A maior queda do pregão ficou por conta do Itaú. Após divulgação do balanço, em que o banco reportou crescimento de 10% no segundo trimestre conforme as expectativas do mercado, as ações recuaram 3,4%, a R$ 35,74. Os números vieram acompanhados de fechamentos de agências em nome da digitalização e de um programa de demissão voluntária.

O dólar subiu 0,18%, a R$ 3,79, maior patamar desde 8 de julho, antes da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados.

Além da divulgação da taxa básica de juros, na quarta serão divulgados os dados da Pnad contínua de junho sobre o mercado de trabalho no Brasil, um dos termômetros da economia.

(Com Reuters)

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