Queda nos preços de alimentos e combustível faz inflação de junho ser a menor do ano

No acumulado de 12 meses, IPCA fechou em 3,37%

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Com queda nos preços dos combustíveis e dos alimentos, a inflação recuou em junho para 0,01%, 0,12 ponto percentual abaixo do registrado no mês anterior, informou nesta sexta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi a menor taxa de inflação desde novembro de 2018, quando a inflação fechou em queda de 0,21%. Segundo o IBGE, houve deflação em 7 das 16 cidades pesquisadas, inclusive São Paulo –em maio, haviam sido apenas duas.

"É praticamente uma estabilidade", disse o economista do IBGE Fernando Gonçalves, ressaltando que foi o sexto menor índice desde 1995. Além dos impactos de gasolina e alimentos, ele diz que a situação econômica contribui para o cenário de inflação mais baixa. 
 
"As famílias estão endividadas, a reposição do mercado de trabalho vem por conta da informalidade, o que não dá segurança. Então, as pessoas concentram seus gastos naquilo que é essencial: transporte, moradia e alimentação", afirmou.

Foi o segundo mês seguido de desaceleração, após um início de ano com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a taxa de inflação oficial) ressionado justamente por combustíveis e alimentos. Em junho, grupos alimentação e bebidas e transportes tiveram deflação de 0,25% e 0,31%.

Os alimentos caíram pelo segundo mês consecutivo –em maio, o recuo foi de 0,56%– puxados por menores preços de frutas (-6,14%) e feijão carioca (-14,80%). Gonçalves diz que a queda é fruto da maior oferta dos produtos durante a safra. No início do ano, o feijão era um dos vilões da inflação.

A deflação do grupo transportes foi provocada por queda de 2,41% no preço dos combustíveis, com destaque para a gasolina (-2,04%), que teve a maior contribuição individual para a desaceleração da inflação em junho. 

Desde meados de maio, a Petrobras cortou os preços do combustível em suas refinarias quatro vezes, acompanhando a queda das cotações internacionais do petróleo.

Já o grupo saúde e cuidados pessoais teve a maior contribuição positiva, de 0,08 ponto percentual, com alta de 0,64% no mês, devido a aumento de 1,5% no item higiene pessoal –provavelmente provocada por alta do câmbio e reposição de produtos após o dia das mães, disse Gonçalves. 

A inflação dos serviços subiu para 0,34%, ante queda de 0,11% no mês anterior, puxada pela alta de 18,90% no preço das passagens aéreas, com impactos de início das férias e Copa América.

A sensação de inflação alta no primeiro trimestre contribuiu para os baixos índices de aprovação do governo Jair Bolsonaro. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (8), 48% dos brasileiros esperam aumento dos preços. Este foi o maior motivo de apreensão dos entrevistados, acima desemprego.

Economistas, porém, vêm revendo para baixo suas expectativas para o fechamento do ano. O último relatório Focus do Banco Central aponta para 3,80%, 0,09 ponto percentual a menos do que um mês atrás.

Em 12 meses, o IPCA ficou em 3,37%, abaixo dos 4,66% do mês anterior e menor taxa desde maio de 2018. A meta do Banco Central para dezembro é 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A projeção de economistas ouvidos pela agência Bloomberg era de queda de 0,03% na relação maio e junho, e de 3,33% no acumulado de 12 meses. 

No primeiro semestre, a inflação brasileira acumulou 2,23%, contra 2,60% no mesmo período do ano anterior.

Em julho, a inflação deve continuar sendo beneficiada pelos preços dos combustíveis - na segunda (8), a Petrobras anunciou novos cortes nos preços da gasolina e do diesel —mas terá pressão do reajuste de 6,61% na tarifa de energia de São Paulo.

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