Startup de exercício físico recebe investimento, chega a US$ 1 bi e vira unicórnio

Gympass oferece plano para funcionários de empresas acessarem academias em vários países

São Paulo

A startup Gympass anunciou investimento de US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão) do grupo japonês Softbank. A empresa se tornou mais uma das raras companhias do segmento a superar o valor de mercado de US$ 1 bilhão (R$ 3,77 bilhões).

A empresa, criada em 2012 por César Carvalho, 35, empresário nascido na cidade de Alfenas (MG), tem um serviço que funciona em 14 países.

Por ele, profissionais de 2.000 empresas clientes têm acesso a 47 mil academias credenciadas, podendo se exercitar em qualquer uma delas quando quiser.

Apesar de seu negócio estar em franca expansão, Carvalho diz que ele se tornou bem diferente do que imaginava quando concebeu a startup.

César Carvalho, fundador e presidente global da startup Gympass - Divulgação

A ideia para a companhia surgiu quando ele trabalhava na consultoria McKinsey, o que o fazia ter de se envolver em projetos variados, muitas vezes exigindo mudanças de cidade.

Conforme ia de um lugar para o outro, uma conta de nova academia na qual se matriculava e não conseguiria mais ir o acompanhava por vários meses. 

Daí surgiu a ideia que, para ele, parecia ótima: criar um serviço para venda de aulas avulsas em academia. 
O cliente entraria no site ou aplicativo do Gympass, diria onde quer treinar naquele dia e pagaria um valor pequeno pela aula.

Assim, ninguém mais precisaria se arrepender de pagar por um plano que não usa. Mas, descobriu Carvalho, o público interessado nisso era menor do que o esperado.

"A verdade é que a ideia não funcionou. Por mais que a gente tivesse convicção de que, no papel, existisse um plano que nos desse confiança para tocar o projeto, a realidade é que não teve 'fit' do produto com o mercado", afirma Carvalho.

Segundo ele, o que permitiu ajustar o modelo de negócios da empresa foi uma ligação de cliente da empresa, que era diretor de recursos humanos da consultoria PWC. 

Ele disse que gostava do produto da startup e queria fornecer algo assim para todos os funcionários da companhia.

"Jogamos fora tudo o que tínhamos feito para atender o pedido. Dobramos de tamanho de um mês para o outro", conta.

Carvalho diz que, para trabalhar no mercado corporativo, foi necessário acelerar o crescimento da empresa. 

Isso porque, para atender a demanda dessas empresas e dos funcionários, seria preciso ter mais academias em mais cidades cadastradas no serviço.

A expansão internacional, que começou em 2015 quando o Gympass começou a oferecer o serviço no México, também veio por demanda de cliente, uma multinacional que queria oferecer o benefício do uso de academias em mais países, diz.

"Ir para fora do Brasil é uma decisão difícil, pois você passa a ter de dividir recursos. Mas, quando é puxado pelo cliente, você tem um nível de certeza maior do que se estivesse tentando fazer sozinho", diz Carvalho.

O serviço da companhia também está disponível em países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Holanda, França, Portugal, Chile e Argentina.

Sobre o processo, Carvalho afirma que, pelo fato de o Brasil ter um grande mercado relacionado a bem-estar e exercício físico, ser uma startup nascida no país ajudou a companhia a ser bem-vista no exterior.

O empreendedor afirma que, de cada 10 funcionários que são inseridos no plano do Gympass por empresas clientes, 8 não eram matriculados em academia antes.

Ele diz ter como missão garantir que todos os usuários do serviço possam praticar atividades físicas ao menos duas vezes por semana.

Para o futuro, Carvalho diz que a meta é levar o serviço para mais países e adotar inteligência artificial.

O objetivo é que o Gympass consiga recomendar a cada pessoa o melhor exercício disponível, levando em conta estilo de vida e preferências do atendido.

"Queremos que cada pessoa ache a sua atividade. Não adianta pressionar a pessoa para ela fazer algo, tem de dar todos os caminhos, ajudar ela a achar algo que gosta para que fique engajada", afirma.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.