Acordo Efta-Mercosul vem em 'péssimo momento', diz Noruega

Primeira-ministra da Noruega lamentou que tratado tenha sido concluído no contexto de incêndios na Amazônia

Oslo | AFP

A primeira-ministra da Noruega, integrante da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA, na sigla em inglês) que reúne os países não membros da UE, lamentou nesta terça-feira (27) o "péssimo momento" do acordo comercial concluído com o Mercosul no contexto dos incêndios na Amazônia.

Em meio a uma enxurrada de críticas no exterior por sua gestão dos incêndios que devastam a selva amazônica, o presidente brasileiro havia anunciado na sexta-feira o fechamento de um acordo de livre-comércio entre a EFTA (que reúne Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça) com o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).

"(Por um lado) É um péssimo momento, agora que a Amazônia está em chamas", afirmou Erna Solberg, citada pelo jornal "Dagens Naeringsliv" (DN).

"Por outro, é um acordo que passamos anos tentando concluir, e o acordo apoia o objetivo de uma gestão sustentável da floresta tropical", acrescentou a chefe do governo norueguês, cujo país exerce a presidência rotativa do EFTA no segundo semestre do ano.

O anúncio deste tratado comercial chega no momento em que países como França e Irlanda ameaçaram bloquear o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano para protestar contra a gestão dos incêndios por parte da presidência brasileira.

Também acontece poucos dias depois de a Noruega, seguindo os passos da Alemanha, anunciar a suspensão de sua contribuição financeira para o Fundo Amazônia, que prevê recursos para a preservação da selva amazônica.

Esta coincidência levou organizações de defesa do meio ambiente e partidos de oposição a lançarem duras críticas ao governo de direita na Noruega.

Segundo o jornal europeu "Klassekampen", dois partidos nanicos da coalizão de governo, liberais e democristãos, não excluem rever o acordo, quando o texto for examinado no Parlamento.

Este ano já foram registrados mais de 80.000 incêndios no Brasil, o que significa uma alta de 80% em relação a 2018. Mais da metade dos focos (52%) se concentrou na região amazônica.
 

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