Após pior pregão do ano, mercados esboçam recuperação

Ibovespa sobe 2% e recupera os 102 mil pontos; dólar se manteve em R$ 3,96

Júlia Moura
São Paulo

Depois do pior dia do ano para Wall Street, o banco central chinês concedeu um certo alívio aos mercados ao limitar a desvalorização de sua moeda, o yuan. Investidores voltaram a retomar suas posições em ações e os índices da Bolsa de Nova York fecharam com ganhos nesta terça-feira (6). No Brasil, o Ibovespa teve uma recuperação ainda mais expressiva e subiu 2%, recuperando os 102 mil pontos.

O dólar teve um pregão de alta volatilidade e chegou a recuar 1% pela manhã, a R$ 3,94. A moeda americana, no entanto, ganhou força pele tarde e chegou a R$ 3,99. No fechamento, o dólar terminou estável, a R$ 3,957.

Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado da Bolsa de Valores de Sao Paulo
Mercados se recuperam nesta terça-feira (6) após fortes quedas da véspera - Folhapress

Nesta terça, o banco central chinês fixou o ponto médio do yuan, que determina o ponto em torno do qual a moeda pode ser negociada, em 6,9683 por dólar, acima das expectativas do mercado.

A moeda chinesa teve uma leve recuperação em relação à véspera e encerrou o pregão no patamar de 7,057 yans por dólar. Na segunda (5), a moeda estava cotada na proporção de 7,098 yuans por dólar.

A divisa chinesa chegou a cair até 2,7% nos últimos três dias, rompendo o nível simbólico de 7 por dólar, menor patamar desde 2008. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin disse que o governo dos Estados Unidos estabeleceu que a China está manipulando o câmbio e vai trabalhar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar competição injusta de Pequim.

Em resposta, a China anunciou que suas empresas pararam de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos e disse que classificar o país como manipulador cambial vai "prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar caos nos mercados financeiros".

“O cenário, no entanto, segue extremamente incerto, sem qualquer sinal de trégua entre as partes. Vale lembrar que em 2020 Donald Trump vai defender sua permanência no cargo contra algum candidato democrata. ‘Empurrar a negociação com a barriga’, com muito ruído no curto prazo, pode levar o Fed a ter uma postura mais favorável a taxas de juros mais baixas nas próximas reuniões, o que é um dos desejos do presidente, e ainda deixaria um possível acordo para a véspera da disputa eleitoral”, afirma relatório da Coinvalores.

Apesar da estabilidade do yuan e da expectativa de cortes de juros por parte do mercado, um dos membros do Fed, banco central americano, provocou instabilidades nesta terça. James Bullard afirmou que a autoridade monetária pode não precisar responder de maneira urgente à guerra comercial.

“A política monetária americana não pode reagir ,de maneira sensata, ao toma lá dá cá diário de negociações comerciais”, disse Bullard em um evento em Washington.

As Bolsas europeias, que operaram no azul durante boa parte desta terça, inverteram sinal com a fala de Bullard e encerraram em queda pelo terceiro pregão seguido. Londres recuou 0,7%, Paris 0,13% e Frankfurt, 0,8%.

As commodities também seguiram em queda. O minério de ferro recuou 1,2%, a US$ 99,33, menor patamar desde junho. O petróleo caiu 1,12%, a US$ 59,14, menor patamar desde janeiro. 

Os índices asiáticos tiveram mais uma sessão no vermelho. A Bolsa do Japão e a de Hong Kong cederam 0,65%. O índice CSI 300, que reúne as Bolsas chinesas de Xangai e Shezhen, caiu 1%.

Nos Estados Unidos, os índices se recuperaram após o pior dia do ano, com quedas de cerca de 3% na segunda (5). Nesta terça, Dow Jones subiu 1%, S&P 500, 1,2% e Nasdaq, 1,4%.

No Brasil, o Ibovespa teve uma recuperação mais ampla e subiu 2,06%, a 102.163 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17,8 bilhões, acima da média diária para o ano.

Além do dia positivo em Nova York, contribuí para o viés de alta da Bolsa brasileira a expectativa de que a votação da reforma da Previdência seja concluída até esta quinta (8) na Câmara dos Deputados e caminhe para o Senado. 

Dentre os destaques corporativos, está a Marfrig, cujas ações subiram 7,41%, a R$ 7,39, depois que a empresa anunciou parceria com a americana ADM (Archer Daniels Midland Company) para produção de hambúrgueres vegetais.

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