BB paga menos imposto e lucro cresce 36%

Banco lucrou R$ 4,4 bi no trimestre, mas já prevê que pode diminuir a carteira de crédito neste ano

São Paulo

O Banco do Brasil teve um lucro líquido de R$ 4,4 bilhões no segundo trimestre. Comparado com o ano passado, foi um salto de 36%. Mas boa parte desse crescimento extraordinário se deve ao fato de que o banco pagou muito menos imposto neste ano. 

O presidente da instituição, Rubem Novaes, exaltou nesta quinta-feira (8) o lucro recorde do banco neste semestre. Ele disse que o resultado foi fruto de estratégia, direcionamento correto de capital para áreas mais rentáveis, contenção de despesas e modernização. No entanto, o banco pagou R$ 1,45 bilhão a menos de imposto no primeiro semestre deste ano. Assim, o lucro em seis meses que cresceu 38% teria andado apenas 12,8%.

No segundo trimestre este foi o maior efeito. Para se ter uma ideia da diferença, o crescimento não chegou a 2% na linha do resultado do banco antes do imposto. No ano passado, no mesmo período, o BB desembolsou mais de R$ 1,8 bilhão de imposto de renda e CSLL. Neste ano foi pouco mais de R$ 570 milhões. A economia foi por conta da redução de alíquota de CSLL.

Fachada do Banco do Brasil, na Avenida Paulista, Zona Central de São Paulo Bruno Santos/ Folhapress - Bruno Santos-20.nov.2016/ Folhapress

A carteira de crédito chegou a se retrair no trimestre e o banco já prevê que pode terminar menor do que começou o ano. A queda neste trimestre foi pequena, de 0,4%, mas nas novas estimativas divulgadas no balanço, a retração poderá chegar a 2%. Se crescer, não será mais do que 1%. No começo do ano a estimativa era que o carteira de crédito aumentasse entre 3% e 6%. 

O movimento está sendo puxado pelos clientes pessoas jurídicas. O banco informa que a carteira no segundo trimestre caiu quase 8% e pelas novas estimativas pode cair até 13%

A explicação, segundo Márcio Hamilton Ferreira, vice-presidente da área de empresas do banco, é que as grandes empresas estão com capacidade ociosa e isso afeta a demanda por crédito. Outro motivo é que essas companhias estão refinanciado suas dívidas pelo mercado de capitais. 

A carteira do segundo trimestre foi afetada por um grande volume de amortizações no segmento de grandes empresas, que pagaram cerca de R$ 17 bilhões em empréstimos ao banco. 

Mesmo assim, o índice de inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias subiu. Na carteira total de crédito, este índice era de 2,61% no primeiro trimestre deste ano e saltou para 3,25%. O índice foi influenciado pela carteira do agronegócio, que tinha uma inadimplência de 1,68% no primeiro trimestre, e que saltou para para 3,08% em junho deste ano. 

O banco não menciona nome de clientes, mas informa que o índice de inadimplência de atraso superior a 90 dias foi afetado por um caso específico. Como o salto da inadimplência aconteceu na carteira de agronegócio, uma das possibilidades é que a recuperação judicial da Atvos, que pertence à Odebrecht, tenha afetado o balanço da instituição. O BB é credor em quase R$ 4 bilhões.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, que também mede o risco das operações de crédito, aumentaram em relação ao primeiro trimestre do ano, cerca de 4%, chegando a R$ 5,1 bilhão. Mais uma vez o crescimento foi puxado pela carteira de pessoa jurídica, que saltou 16,5%. O banco informa que houve menor recuperação de crédito. 

De qualquer forma, comparado com mesmo período do ano passado, houve até uma leve redução, tanto das despesas com devedores duvidosos quanto no índice de inadimplência. 

No segmento pessoa física, o banco continuou crescendo sua carteira de crédito, mas em menor ritmo do que seus concorrentes privados. Enquanto Santander, Bradesco e Itaú cresceram suas carteiras na média 15%, a do Banco do Brasil cresceu apenas 7,8% no segundo trimestre, comparado a igual período do ano passado. As carteiras que mais cresceram foram a de crédito consignado e empréstimo pessoal. 

O Banco do Brasil não tem planos de fazer vendas de seus ativos, segundo informou o presidente, Rubem Novaes. Em discurso comedido, ele disse que tem muitos sócios nos negócios e que estas decisões precisam ser tomadas em conjunto. Além disso, Novaes disse que o banco não cogita vender a Cielo ou o banco Votorantim e tampouco ações do próprio banco.

Neste trimestre, o BB vai distribuir R$ 1,7 bilhão em dividendos e não vai aumentar a margem mesmo com a pressão para que as estatais aumentem a distribuição de lucro. O vice-presidente financeiro, Carlos Hamilton Araújo, disse que o conselho do banco determinou que a distribuição deve ficar entre 30% e 40%  e não houve alteração. 

Demissão incentivada

O BB anunciou recentemente um plano de demissão voluntária. Segundo Rubem Novaes, o plano foi motivado pela migração de clientes para uso exclusivo de canais digitais que levou a uma restruturação de agências bancárias. Cerca de 80% das transações bancárias realizadas pelos clientes do banco foram feitas pela internet ou pelo aplicativo no celular. 

A expectativa é de que os gastos com o processo de demissão cheguem a R$ 300 milhões. 

Novaes disse que a demissão não é aberta a todos os funcionários e só deve chegar ao excedente de pessoal, gerado pela redução das agências. Já para o ano que vem, com a redução de despesas de pessoal e também com as agências, a economia estimada é de R$ 500 milhões. 

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