Bolsas têm pregão 'montanha-russa' e terminam no azul

Dólar encerra em R$ 3,977, maior patamar desde maio

Júlia Moura
São Paulo

Após uma manhã negativa para ativos de risco, o mercado se recuperou com a perspectiva de novos cortes na taxa de juros americana. Charles Evans, membro do Fed, banco central americano, indicou que o órgão deve reduzir os juros com a fraca inflação dos Estados Unidos e piora na guerra comercial.

A fala de Evans levou as Bolsas americanas a reverterem suas perdas no pregão, o que beneficiou a Bolsa brasileira. O Ibovespa registrou alta de 0,6%, a 102.782 pontos. O dólar, que encostou nos R$ 4 durante a manhã, fechou a R$ 3,977, alta de 0,5%. O patamar é o maior desde 30 de maio. 

Investidor observa painel da Bolsa de Valores de São Paulo
Bolsa sobe 0,6% nesta quarta (7), a 102.782 pontos - REUTERS

Nesta quarta (7), o yuan, moeda chinesa, voltou a se desvalorizar frente ao dólar, cotado a 7,06 yuans por dólar, maior patamar desde 2008. O banco central chinês definiu o ponto médio do yuan, que determina o ponto em torno do qual a moeda pode ser negociada, a 6,9996 yans por dólar.

Na terça (6), o órgão havia fixado o ponto médio em 6,9683 yuans por dólar, o que superou positivamente as expectativas do mercado e levou a um alívio nos ativos.

Outro fator que pressionou os mercados foi o corte de juros além do esperado pelo mercado na Nova Zelândia, Índia e Tailândia, devido aos efeitos da guerra comercial.

A aversão a risco e perspectiva de juros mais baixo levou a curva de rendimento de títulos do governo americano de curto e longo prazo a se inverter. Nesta quarta (7), a diferença entre a taxa de juros do título de três meses e a taxa do título de dez anos se ampliou para a maior disparidade desde 2007, antes da crise econômica. 

Isso acontece porque o rendimento título de curto prazo está maior do que o rendimento do longo prazo, devido a alta demanda por títulos do tesouro. Com a aversão a risco após a piora da guerra comercial, a demanda por títulos de longo prazo aumenta, o que reduz o preço desses papéis.

Segundo um estudo do Fed, nos últimos 60 anos, todas as recessões foram precedidas por uma inversão na curva de rendimento. 

Caso a inversão de curva se mantenha por mais alguns meses, a tendência de recessão se torna mais forte.

“É um sinal bastante preocupante que mostra a desfuncionalidade da política monetária americana. Se o juros de curto prazo está maior do que o juros de longo prazo, é mais um motivo para o Fed cortar a taca básica de juros americana”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Com a fuga para ativos mais seguros, o rendimento do título do tesouro de americano de trinta anos foi para o menor patamar de sua história nessa semana.

O ouro também disparou. A commodity atingiu os maiores patamares desde 2013, com 250 gramas a R$ 208, alta de 7,8% em relação à véspera.

O cenário negativo levou as Bolsas americanas a operarem em queda durante quase todo o pregão. O índice Dow Jones chegou a recuar 2,26%, mas fechou estável. 

Na Europa os índices fecharam em alta apesar da pior queda na produção industrial da Alemanha em nove anos. A Bolsa de Frankfurt subiu 0,7%. Paris, 0,6% e Londres, 0,4%.

Em junho, a produção da indústria alemã recuou 1,5% em relação a maio. O mercado esperava uma queda de apenas 0,3%. Para analistas, a queda brusca se deve a uma menor exportação de maquinário e carros para a China.

O Ibovespa acompanhou o movimento do mercado nos Estados Unidos e chegou a recuar 1,65%. Com a fala de Evans, do Fed, os índices inverteram o sinal e Bolsa acumulou alta de 0,6%, a 102.782 pontos.

O giro financeiro foi de R$ 19,2 bilhões, acima da média diária para o ano.

Já o preço do petróleo voltou a cair. Além do cenário negativo para economia, com perspectiva de desaceleração global impulsionada pela guerra comercial, os estoques da commodity nos Estados Unidos. 

Os estoques tiveram queda por sete semanas consecutivas, mas ainda estão cerca de 2% acima da média de cinco anos para este período do ano, informou a Administração de Informação sobre Energia (AIE).

As reservas de gasolina avançaram em 4,4 milhões de barris, enquanto as de refinados subiram em 1,5 milhão de barris, com ambos os estoques na Costa do Golfo atingindo o maior nível já registrado para este período do ano.

A combinação de alto estoque e baixa demanda levou o Brent ao menor preço em sete meses. O barril recuou 2,68%, a US$ 57,36, menor patamar desde 7 de janeiro.

(Com Reuters)

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