Consórcio formado por Itaúsa e distribuidoras apresenta melhor proposta por Liquigás

Venda é parte do plano de desenvestimento da Petrobras e valor não foi divulgado

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Um consórcio formado pela Itaúsa e pelas distribuidoras de gás de botijão Copagaz e Nacional Gás Butano apresentou a melhor proposta para a compra da Liquigás, subsidiária da Petrobras que opera no segmento de gás de cozinha.

Segundo a estatal, o grupo será chamado para negociar os contratos.

É a segunda vez que a Petrobras tenta vender a Liquigás, que é a segunda maior empresa do segmento. No início de 2018, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) vetou operação de R$ 2,8 bilhões com o grupo Ultra, que já controla a líder no segmento, a Ultragaz.

Venda da Liquigás faz parte de plano de desenvestimento da Petrobras
Venda da Liquigás faz parte de plano de desenvestimento da Petrobras - Gabo Morales/Folhapress

A venda da Liquigás é parte do plano de desinvestimento da Petrobras, que tem o objetivo de reduzir o endividamento da companhia. A gestão atual, comandada por Roberto Castello Branco, decidiu acelerar o plano para focar os recursos da companhia na exploração do pré-sal.

O valor da proposta não foi divulgado pela Petrobras. O consórcio chamado para negociar disputou a empresa com outros dois interessados: o fundo de investimentos Mubadala e consórcio formado pela GP Investimentos e a distribuidora de gás de botijão Consigaz.

A expectativa do mercado é que o consórcio vencedor fatie a empresa para evitar questionamentos dos órgãos de defesa da concorrência. A Copagaz, por exemplo, tem forte participação nos mercados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com mais de 30% das vendas, e teria dificuldades em ficar com a fatia da Liquigás.

Já a Nacional Gás Butano tem presença mais forte em estados do Nordeste —é dona de quase metade das vendas na Paraíba e no Maranhão, por exemplo.

Para evitar problemas com o Cade, como na tentativa anterior de venda da subsidiária, a Petrobras impôs restrições aos participantes do processo atual, determinando que empresas já com participação relevante no mercado brasileiro participassem apenas com ofertas conjuntas.

A operação vem sendo negociada em um momento de tensão no mercado de GLP (gás liquefeito de petróleo, como o gás de cozinha é chamado), diante de propostas da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) para mudanças na regulação do setor.

A ANP quer liberar o enchimento parcial de botijões e permitir que distribuidoras encham botijões de outras marcas, alegando que as medidas vão reduzir o custo do produto para o consumidor final. As grandes empresas do setor, porém, são contrárias à medida.

No mercado, acredita-se que o contrato de venda da Liquigás terá cláusulas condicionando parte do pagamento pela empresa à manutenção das regras atuais. A proposta da ANP, porém, tem apoio do Ministério da Economia. 

A Petrobras informou em nota que convidou o grupo que apresentou a melhor proposta para negociar os contratos e que divulgará as etapas subsequentes da operação.

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