Credores da construtora do grupo Odebrecht aceitam redução de 55% da dívida

OEC fecha acordo com 40% dos detentores dos títulos de dívida que emitiu no exterior, que chegam a R$ 12 bilhões

Raquel Landim
São Paulo

A OEC, braço de engenharia e construção do grupo Odebrecht, alcançou um acordo com boa parte dos credores para reduzir em 55% suas dívidas, que somam R$ 12 bilhões. A informação foi publicada pelo jornal Valor e confirmada pela Folha.

O entendimento foi selado com um grupo que representa 40% dos detentores dos títulos no exterior emitidos pela companhia. A empresa ainda precisa angariar mais 20% dos credores para conseguir uma recuperação extrajudicial, mas o passo mais importante já foi dado.

Em nota, a OEC afirmou que não comentar detalhes sobre o processo confidencial de negociação em andamento e que está "engajada em conversas construtivas com os credores."

A Odebrecht é assessorada no processo pelo escritório E. Munhoz Advogados e pela RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher. Já os credores são representados pelo banco Rothschild.

OEC fecha acordo com 40% dos detentores dos títulos de dívida que emitiu no exterior, que chegam a R$ 12 bilhões - Paulo Whitaker/Reuters

A OEC vinha solicitando um corte de 70% da dívida, mas também era muito importante para a empresa fechar um acordo o mais rápido possível. O objetivo é eliminar o risco de execuções e voltar a conquistar novas obras.

Os credores, então, alegaram que não fechariam um acordo rapidamente nesse patamar e propuseram uma redução de apenas 20%. Após intensas discussões, o acordo foi selado em 55%.

Também houve bastante disputa sobre o período de carência do pagamento do restante da dívida. Ficou acertado que a construtora terá três anos para começar a pagar. Esse prazo é fundamental para a OEC aumente o seu fluxo de caixa, que foi severamente afetada desde o escândalo da Operação Lava Jato.

Os títulos de dívida internacional da Odebrecht foram emitidos por uma subsidiária internacional chamada OFL e aplicado na diversificação das atividades do grupo baiano em seu auge.

A questão se tornou um problema para a construtora, porque o débito é garantido pela OEC. Na época em que os títulos foram emitidos, a construtora era o coração do grupo e uma das maiores geradoras de caixa do grupo, junto com a petroquímica Braskem.

A OEC não é a única empresa do grupo Odebrecht a enfrentar dificuldades. A Atvos, braço de açúcar e álcool, já pediu recuperação judicial e deve apresentar seu plano aos credores nesta terça-feira (6). Com esse pleito, a empresa reconhece que não conseguia pagar seus débitos e pede uma trégua à Justiça.

No início de junho, a holding da Odebrecht, conhecido como ODB, e mais 20 empresas que fazem parte do grupo também optaram pela recuperação judicial. A dívida total desse processo é de R$ 98,5 bilhões.

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