Cristina Kirchner reaparece em público e critica abertura da economia feita por Macri

Ela é vice na chapa encabeçada por Alberto Fernández na eleição presidencial argentina

Mariana Carneiro Sylvia Colombo
Buenos Aires

Em um ato político que reuniu uma multidão de seguidores, neste sábado (31), a ex-presidente Cristina Kirchner criticou a abertura financeira e comercial feita pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri.

Ela disse ainda que o rival errou ao repetir políticas econômicas fracassadas do passado.

Cristina é vice na chapa encabeçada pelo candidato opositor Alberto Fernández, na eleição presidencial argentina deste ano. Ela apareceu pela primeira vez em público desde as eleições primárias, do último dia 11, quando estavam com larga vantagem sobre Macri.

Cristina Kirchner acena para a multidão antes de entrar em carro
Cristina Kirchner após encontro com o candidato Alberto Fernández, no dia 11, em Buenos Aires - Luisa Gonzalez /Reuters

Desde então os mercados reagiram com pessimismo, agudizando a crise econômica do país que, na última semana, decretou moratória parcial de sua dívida interna.

Cristina responsabilizou Macri pela crise, disse que seu mandato foram "quatro anos perdidos" (ela era presidente antes de ele chegar ao poder) e disse que o atual mandatário cedeu a interesses de empresários ao abrir a economia. 

"Macri fez o que cada setor da economia lhe pedia, autorizou todo tipo de exportações e a abertura de capitais. Passamos a importar tomates e até laranjas de Israel", disse. "Agora, cabe a estes empresários uma reflexão".

A candidata a vice indicou ainda que, caso sua chapa vença, proporá um acordo entre empresários, como já mencionou Alberto Fernández, com o objetivo de conter a alta de preços. A inflação argentina já supera 50% ao ano e, com a atual desvalorização do peso, a tendência é que suba ainda mais. 

Ela também criticou a abertura financeira a capitais externos, que em sua opinião levaram a desvalorizações seguidas do peso e a "tarifazos".

A análise da presidente desconsidera, porém, que ela deixou o poder com os preços de energia e de combustíveis muito abaixo dos níveis de mercado, o que era possível por meio de subsídios pagos pelo governo, que àquela altura já operava no vermelho (sob deficit fiscal). Macri tampouco reduziu o deficit nas contas públicas.

Sobre a dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e a moratória parcial declarada na última quarta-feira, ela preferiu rebater críticas dos que a chamam de populista e lembrou que, sob a gestão dela e de seu marido, Néstor, a Argentina pagou a dívida com o fundo. 

O desfecho do grande calote de 2001, no entanto, só ocorreu sob Macri, em 2016, quando a Argentina aceitou negociar com os credores que ainda brigavam na Justiça americana por indenizações. 

"Quando eu saí deixamos uma situação imelhorável em matéria de dívida, encaminhamos a industrialização e o desemprego era de 5,9%. Deixamos o país com problemas, mas encaminhado. Em três anos e pouco, voltar e ver que tudo esteja infinitamente pior, terrível, e praticamente incontornável e que nós, justo os que pagamos a dívida de outros no passado, sejamos chamados de populistas e que tudo o que está acontecendo [nos mercados] é porque estamos voltando. Um pouco de decoro, por favor". 

Cristina disse ainda que o resultado das primárias e da economia são culpa das políticas equivocadas do governo, que repetiu fórmulas que deram errado no passado.

"Por que seria diferente agora tentar algo que já foi tentado várias vezes e deu errado na Argentina?", disse ela, sobre a abertura a capitais financeiros internacionais.
 
Cristina falou para um auditório lotado, com várias autoridades kirchneristas. Do lado de fora, uma multidão cantava e aplaudia a ex-presidente, que chorou em mais de uma oportunidade.

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