Crítico da uberização diz que estratégia é reduzir benefícios

Escritor Tom Slee afirma que plataformas digitais de serviços devem seguir as mesmas regras que as demais empresas

Filipe Oliveira
São Paulo

Crítico da chamada economia colaborativa, inaugurada por empresas como Uber e Airbnb, o escritor anglo-canadense Tom Slee, 59, afirma que plataformas digitais para contratação de serviços devem seguir as mesmas regras que as demais empresas.

Autor de “What is Your is Mine” (O que é seu é meu), traduzido no Brasil como “Uberização” (ed. Elefante)​, Slee afirma que o uso de tecnologia e inovação para fornecer trabalho não justifica o pleito por tratamento diferenciado pela legislação.

Em sua avaliação, da mesma forma que diferentes países permitem tratamentos específicos para empregados de tempo integral e para os que possuem jornadas menores, os aplicativos poderiam oferecer benefícios aos trabalhadores conforme o número de horas trabalhadas.

O escritor Tom Slee, autor do livro "Uberização" e crítico da economia compartilhada Sally Montana/Divulgação - Sally Montana/Divulgação

“Plataformas de tecnologia sempre querem novas leis para elas. Querem ser tratadas como especiais, para ter regras que se encaixem melhor em seus negócios.”

Sobre o desejo dos jovens por mais flexibilidade no trabalho, uma das principais promessas dos serviços, Slee diz acreditar que o benefício se aplica a uma parcela pequena dos trabalhadores. Basicamente, estar em plataformas digitais exige muito esforço para quem busca a sobrevivência a partir delas.

Para ele, serviços uberizados se beneficiam de momentos de crise, como a enfrentada no Brasil. Porém, conforme os níveis de emprego melhorem, é de esperar que haja mais questionamentos sobre o valor que pagam e a os benefícios que oferecem.

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